Canhões de água, barras de ferro, polícia e manifestantes batendo uns nos outros, pessoas sangrando, paredes de policiais vestidos com equipamentos para protestos – esse era o cenário comum dos protestos até pouco tempo na Coreia.

Crianças seguram velas durante o protesto que pede a renúncia da Presidente Geun-Hye Park em Gwanghwamun, centro de Seul, no sábado. / foto do Korea Times por Shim Hyun-chul
Crianças seguram velas durante o protesto que pede a renúncia da Presidente Park Geun-Hye em Gwanghwamun, centro de Seul, no sábado. Foto: Korea Times/Shim Hyun-chul

Isso foi deixado para trás nas manifestações de sábado contra a Presidente Park Geun-Hye, que contou com a participação de aproximadamente um milhão de pessoas marchando lado a lado na rua em frente à Gwanghwamun Square e arredores.

Pessoas andaram pelo centro de Seul em paz, até mesmo próximo à Cheong Wa Daw, onde vive a Presidente Geun-Hye, envolvida no pior escândalo dos últimos tempos junto de sua amiga e confidente, Choi Soon-Sil Choi. As pessoas seguravam velas e pôsteres pedindo a retirada de Geun-Hye da presidência, mas não houve tentativas de brigas com os mais de 25.000 policiais presentes e preparados.

Estudantes gritam "Gun-Hye Park! Renuncie!," enquanto seguram cartazes com a mesma mensagem. / Yonhap
Estudantes gritam “Park Gun-Hye! Renuncie!,” enquanto seguram cartazes com a mesma mensagem. / Yonhap

Houve alguns confrontos isolados, mas ainda assim nada se comparou com as manifestações anteriores em que algumas pessoas se feriram gravemente. A polícia anunciou que 64 policiais e manifestantes foram machucados, mas nenhum em estado grave. Além disso, apenas 23 pessoas foram presas.

Manifestante segura uma placa com mensagem em inglês. / Yonhap
Manifestante segura uma placa com mensagem em inglês. / Yonhap

A maior manifestação na história moderna da Coreia, que durou quase 12 horas, foi um carnaval fora de época em grande escala. A manifestação à luz de velas foi acompanhada de música de gritos de “Renuncie, Park Geun-Hye!”. As pessoas riam dos pôsteres e performances que ridicularizavam a presidente e sua confidente. Alguns levaram também instrumentos para tocar, e outros aproveitaram para dançar. Os manifestantes também comiam alguns lanches, como gimbap (bolinho de peixe cozido) e soondae, vendidos por ambulantes, enquanto marchavam.

Cantores e comediantes subiram aos palcos, para avivar a multidão. O portal de mídia coreana, News 1, disse que a história irá lembrar deste protesto como o mais maduro de todos já ocorridos no país.

A estradas foram mantidas limpas. Os manifestantes jogaram suas garrafas de água em locais apropriados, e voluntários limparam a área ao fim do protesto. As estações de metrô próximas ao local da concentração, estavam lotadas com pessoas indo e vindo, mas todos se moviam com cortesia e boas maneiras, o que não era visto em manifestações anteriores. Os participantes também se voluntariaram para procurar carteiras perdidas e até crianças que se distanciaram de seus pais.

Isso lembrou as pessoas da Copa do Mundo da FIFA de 2002 na qual os cidadãos foram notados por suas incríveis boas maneiras.

A manifestação pacífica foi possível em parte pela composição dos participantes. Houve uma grande diversidade de pessoas, desde crianças de três anos de idade à mães, pais e avôs, que foram motivados não apenas por sua indignação, mas também pelo amor ao país e desejo de criar um futuro melhor para que seus filhos e netos possam vivem em prosperidade e em uma democracia completa.


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