Concept photo para o álbum Butter. Foto: SOOMPI. Capa do livro "AMOR E VOZ HISTÓRIAS DE ARMYS BRASILEIRAS. FOTO: Delta Noonas. Aguida Carvalho

O livro “Amor e Voz – Histórias de ARMYS Brasileiras”, idealizado pelo grupo de fãs “Delta Noonas”, reúne depoimentos de diversas ARMYS com mais de 30 anos de idade. Os 45 relatos escolhidos para a composição do livro, reúnem as histórias das fãs e mostram como as músicas, discursos e outros conteúdos do BTS lhes trazem uma perspectiva inspiradora e positiva.

Batemos um papo com a equipe das Delta Noonas, que nos contaram em detalhes como ocorreu o processo de elaboração do livro.

Confira a entrevista abaixo!

O Amor E A Voz Das Army Brasileiras Eternizados Em Livro
Capa do livro “amor e voz – histórias de armys brasileiras”. Foto: delta noonas

1- Antes de iniciarmos, gostaríamos de conhecer um pouco mais sobre cada uma de vocês. Como nasceu o projeto “AMOR E VOZ – HISTÓRIAS DE ARMYS BRASILEIRAS?”
Hoje, nós somos 9 mulheres por trás da página Delta Noonas: Bruna Dahle, Gabriela Campello, Gabriela Reis, Inês Fraga, Jessica Zanette, Priscila Rinco, Tathianne Dias, Thais Duarte e Valquíria Bento. O projeto “Amor e Voz” nasceu praticamente junto com a Delta Noonas, em abril do ano passado.

A página foi criada primeiro no twitter, pela Tathy, que estava querendo encontrar outras fãs de BTS que, como ela, tivessem mais de 30 anos. Logo no início, a Tathy chamou a Gabi pra fazer parte da equipe e ela chegou com a proposta do projeto. Os meninos já falaram diversas vezes sobre o ARMY contar suas histórias, mas especialmente no primeiro discurso que eles fizeram na ONU, o Namjoon nos encorajou a encontrarmos a nossa voz e contarmos as nossas histórias.

Decidimos fazer isso com um recorte na parcela do fandom que fazemos parte, pra mostrar a diversidade do fandom e tentar quebrar preconceitos. Através da página, todas nós nos conhecemos, a amizade cresceu e hoje somos um grupo que trabalha pra fazer da Delta Noonas um espaço de descontração entre fãs +30 e estamos muito empenhados no livro.

2- Vocês provavelmente receberam centenas de depoimentos dos (as) Armys. Como foi realizada a escolha dos relatos que fariam parte do livro?

Pelo contrário, foi um sufoco conseguir depoimentos! Nós não imaginávamos que seria difícil como foi. A DN chamou alguma atenção agora, já na divulgação do livro pronto. E mesmo assim nosso alcance ainda é pequeno. Ano passado, quando a gente precisava de pessoas que estivessem confortáveis em contar suas histórias, a página tinha poucos seguidores e, sendo relativamente nova, era difícil que as pessoas confiassem e abrissem a vida pessoal, ainda mais pra que ela fosse publicada.

Nós só não colocamos no livro depoimentos que não tinham informações suficientes, que foram muito resumidos, que a pessoa não quis entrar em detalhes ou não respondeu ao nosso contato solicitando uma breve entrevista. Para o livro, era importante que algo fizesse daquele relato um relato individual. Se eu disser que o BTS me ajudou em um momento difícil, isso é algo que serve para muitas pessoas. Mas se eu conto o que eu estava passando e como o BTS me ajudou nesse processo, essa história se torna a minha história, entende? Nós conseguimos 45 depoimentos, no início a gente imaginava que teria bem mais, mas depois esse se mostrou um número adequado ao modelo do livro e são histórias muito especiais, contadas por mulheres que acreditaram no projeto e são parte dele.

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Depoimento de uma fã para o livro amor e voz histórias de armys brasileiras.

3- Muitas pessoas tem uma visão preconceituosa de que o fandom do BTS e de outros grupos de K-pop, é composto apenas por crianças e adolescentes. O projeto de vocês traz exatamente o oposto, a visão de fãs mais “velhas”. Vocês acreditam é um começo para acabar com o preconceito existente?

A gente acredita que é uma forma de contribuir para uma reflexão que é bem ampla. Existe uma ideia de que a música pop é algo fútil e isso aparece baseado na noção de que, especialmente no caso de boy groups, o público parece ser em sua maioria composto por meninas adolescentes. E em uma cultura machista, o que meninas gostam, é fútil. Essa visão, que se expressa em comentários machistas e homofóbicos sempre existiu.

Era assim quando o cenário do pop era dominado por boy bands dos EUA e de alguns países da Europa. Agora o preconceito é maior, porque o BTS é um grupo coreano e isso, infelizmente, aumenta o pacote de preconceitos, porque existe racismo e xenofobia envolvidos. Nós já ouvimos muitos comentários inconvenientes sobre gostar de BTS na nossa idade, e esses comentários vem atreladas a todos esses preconceitos que falamos.

Com o livro, a gente espera mostrar um lado mais humano disso tudo, que é como tantas de nós viveram um impacto positivo em suas vidas através do trabalho do BTS. Não é sobre um estilo musical ser bom ou não, não é sobre determinado grupo ser adequado ou não para a nossa idade, é sobre histórias de vida. Nossas histórias de vida. E isso precisa ser respeitado.

O Amor E A Voz Das Army Brasileiras Eternizados Em Livro
Depoimento de uma fã que pode ser lido no livro amor e voz de armys brasileiras.

4- O livro “Amor e Voz” é uma produção independente, ou vocês receberam algum investimento para a realização do projeto?

O livro é independente, foi feito de forma inteiramente voluntária e para ser disponibilizado de modo gratuito. Foi mesmo – e está sendo – um trabalho de formiguinha, cada uma escreveu seu depoimento, outra redigiu, outra revisou, outra montou o ebook com capa e diagramação, outra está traduzindo para o inglês. Tem sido um trabalho coletivo muito bonito.

5- Como vocês se organizam para dividir as funções? Alguma de vocês já trabalhava com livros?
Tudo aconteceu de uma forma muito natural. Quando começamos o projeto de livro, a equipe da DN tinha só a Tathy e a Gabi e nenhuma sabia como fazer um livro. Ficou decidido que isso ia ser descoberto no caminho mesmo. A Gabriela quis que “Amor e Voz” fosse inicialmente um livro porque ela trabalha escrevendo e estava estudando autobiografias de feministas, então era uma área confortável e também mais prazerosa para ela.

A Tathy ajudou a divulgar nas redes porque a Gabi já é mais tímida nessas horas. Baseada na própria ideia das autobiografias, cada depoente é autora da sua história, então o livro foi escrito a muitas mãos! Por isso a Gabi fala que ela não é a autora do livro, mas sim a organizadora. Quando a parte escrita estava pronta, nem a Gabi e nem a Tathy sabiam como tornar o livro algo concreto e aí veio a outra Gabriela, a Gab Campello, que já trabalha como designer de camisetas, tem uma visão artística muito boa e já tinha alguma experiência em fazer capa e diagramação de livros.

A Thais se dispôs a revisar o texto que a Gabi redigiu. A Inês, que é Especialista em Tradução e Intérprete, juntamente com a Jéssica, são as responsáveis pela versão para o inglês. A Val, que é tecladista, fez a trilha sonora do vídeo de divulgação. A Tici (que é uma das depoentes) se ofereceu para traduzir o livro para o espanhol e aí a Tathy, que também sabe espanhol, entrou nessa junto. Não aconteceu uma reunião com delegação de tarefas, foi tudo muito espontâneo.

6- Apesar dos relatos serem de Armys mais “velhas”, as fãs em geral estavam ansiosas pelo lançamento do livro. Como vocês se sentiram recebendo todo esse apoio? Na contramão, recentemente houve muito hate conta Armys +20…vocês receberam mensagens de teor negativo por causa da ideia do livro?

A gente vibra de alegria cada vez que um ARMY compartilha o nosso projeto nas redes sociais e ver que são fãs de diversas idades deixa a gente mais feliz ainda. Aparecem fãs bem mais novas achando super legal justamente por ser um projeto de noonas. Foi esse apoio que moveu a gente durante toda a execução do projeto. E nós nunca recebemos hate por causa da ideia do livro, o que é muito bom.

7- Existe algum plano futuro para traduzir o livro para outro idioma? Por exemplo para o próprio coreano?
Sim! Além do inglês e do espanhol, nós estamos tentando uma tradução para o coreano. A gente quer que o fandom de tudo quanto é canto do mundo possa ter acesso ao livro. Também esperamos que seja lido por pessoas que não conhecem muito bem o BTS, quem sabe pais de ARMYS jovens que tenham alguma implicância com as músicas que seus filhos escutam? Seria ótimo.

E traduzir especialmente pro coreano ajuda a gente a andar na direção de um dos objetivos, que é entregar esse livro aos meninos, como um presente e um agradecimento. É difícil? Com certeza. Mas é igual quando a gente decidiu fazer o livro sem nunca ter feito um: a gente determina que quer fazer acontecer e então vamos descobrindo um caminho. Em equipe, é sempre melhor. Caminhamos juntas.

O Amor E A Voz Das Army Brasileiras Eternizados Em Livro
Concept photo bts butter. Foto: gazetaweb

8- Qual a principal mensagem do livro “Amor e Voz?”
A principal mensagem é – assim como na música dos meninos – que a vida continua. Se, por alguma razão, agora está ruim e as coisas parecem muito difíceis, saiba que vai passar. Um dia ou outro você encontra por acaso uma música que te faz sentir felicidade ou um grupo de rapazes que vai te fazer rir enquanto brincam entre eles. Não desista hoje, porque essa surpresa pode estar justamente no dia seguinte.

9- Em relação as depoentes, teve alguma média de idade que participou mais avidamente?
Sim. Inicialmente a maioria estava na faixa dos 30 anos, mas depois apareceram muitas depoentes na faixa dos 40. Ficou numa média entre 30 e 45 anos.

10- Agora falando de uma forma mais individual. Teve algum depoimento que vocês se identificaram mais?
O emocionante do livro é que a gente se vê em cada depoimento porque cada uma de nós já sentiu o que é ter a vida modificada de forma positiva pelo trabalho dos meninos, então esse momento da virada, nas histórias contadas, seja qual relato for, causa impacto na gente. Não tem um depoimento específico que tenha gerado mais identificação porque, independente das formas como as coisas aconteceram, todas elas levam para um lugar em comum, que é o BTS.

11- Por último, mas não menos importante, qual depoimento vocês Delta Noonas, idealizadoras do livro “Amor e Voz”, desejam deixar?
Encontre o seu amor e a sua voz. Busque por esse amor que é o amor próprio e tenha a narrativa de sua vida em suas mãos. Quem constrói a sua história é você”.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.

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