A presidente disse nesta terça-feira que deixaria a Assembleia Nacional decidir o destino de sua presidência.

Eu estabelecerei minha linha de ação, incluindo uma redução em meu mandato presidencial, conforme a decisão da Assembleia Nacional“, disse ela em um discurso à nação. “Se os círculos políticos sugerirem uma maneira pela qual eu possa entregar o poder para minimizar o caos e o vácuo nos assuntos do Estado, vou deixar a presidência de acordo com o cronograma e o procedimento legal“.

O prazo de Geun-Hye como a 18ª presidente da nação é até fevereiro 2018. Ao sugerir um mandato presidencial reduzido e não a demissão, Park parece estar pedindo uma revisão da Constituição, que atualmente estipula um único mandato presidencial de cinco anos. As negociações sobre a alteração deste sistema para mandatos renováveis de quatro anos têm estado em curso dentro dos círculos políticos, para promover a continuidade nos assuntos do Estado.

 Park Geun-Hye faz uma reverência após seu pronunciamento. Foto: Yonhap
Park Geun-Hye faz uma reverência após seu pronunciamento. Foto: Yonhap

O discurso presidencial, que veio com pouco aviso prévio, foi o terceiro desde que o escândalo envolvendo sua amiga e confidente Choi Soon-Sil estourou no final de outubro.
Em seus dois últimos discursos, Park pediu desculpas por causar descontentamento público, mas nem admitiu seu envolvimento intencional, nem se ofereceu para deixar o poder.

A declaração de Park na terça-feira veio em meio a movimentos políticos crescentes para seu impeachment, apenas dias antes do voto antecipado do parlamento sobre um eventual pedido de impeachment que possa força-la legalmente para fora do poder.
Também se seguiu aos crescentes pedidos de renúncia do público e dos círculos de oposição, como reflete o recorde de manifestações realizadas no país durante o fim de semana, um evento que reuniu mais de 1,9 milhão de participantes exigindo a saída da presidente.

Eu já me dispus de tudo“, disse a presidente. “Tudo o que eu espero é que a República da Coreia rompa com essa confusão e volte aos trilhos“.

Embora ela tenha passado a decisão para a legislatura, acredita-se que ela esteja tentando implementar um conceito de “retirada ordenada”, o que sugere que o presidente deve primeiro confirmar a sua renúncia ao poder, estabelecer uma administração interina e, em seguida, se preparar para demitir-se.

Anteriormente sugerido pelos partidos de oposição e posteriormente apresentado por um número de membros do partido no poder, esta foi considerada uma alternativa válida à expulsão imediata da presidente, o que provavelmente causaria caos nos assuntos do Estado.

Considerou-se também a única maneira para a presidente sitiada responder à resignação voluntária, entre os pedidos públicos sempre crescentes para sua retirada e a investigação contínua da acusação.

Com tais considerações, as principais figuras do partido Saenuri, consideradas leais a Park, haviam pedido na segunda-feira que a presidente se afastasse “pelo bem do país e por ela mesma”.

Além disso, na manhã de terça-feira, pouco antes de Cheong Wa Dae (Palácio do Governo) confirmar o discurso presidencial urgente, o primeiros integrantes do partido – a maioria deles classificados como leais a presidente – opinou que mesma deve optar por “demitir-se de forma ordenada”.

Apesar deste pronunciamento de seus aliados, para não mencionar a participação de outras figuras políticas para participar do processo de impeachment liderado pela oposição, a Casa Azul continuou seu silêncio, apenas afirmando ser “todo ouvidos a todas as opiniões“.

 Park pedirá ao parlamento que decida sobre a redução de seu mandato. Foto: Yonhap
Park pedirá ao parlamento que decida sobre a redução de seu mandato. Foto: Yonhap

Mas esse tom moderado, claramente diferenciado de sua dura negação até agora, desencadeou especulações de que a presidente estava ponderando o “conselho” de seus partidários.
Ao longo das alegações de que ela estava envolvida ativamente por trás da corrupção de Choi, Park expressou desaprovação – embora não explicitamente – sobre a escalada das manifestações em prol de sua renúncia.

Quando a equipe de investigação especial listou-a como cúmplice nas irregularidades de seus assessores, a Casa Azul prometeu parar toda a cooperação com a acusação, aludindo que Park preferiria enfrentar um conselho independente ou mesmo o impeachment.

Preferiríamos resolver essas disputas por meio de um procedimento legítimo que possa claramente discernir a responsabilidade da presidente“, disse o porta-voz do Park, Jung Youn-Kuk, em 20 de novembro.

O porta-voz também disse repetidamente que “ainda não há nada para a presidente decidir” uma vez que a investigação relacionada está em curso, o que implica que nenhuma das alegações contra Park foram provadas.

Em seu discurso, Park reiterou sua “inocência” na série de acusações de corrupção e tráfico de influências que envolvem não apenas Choi, mas um número de ex-presidentes de alto escalão.
Desde que comecei a política em 1998, até o momento como presidente, fiz todos os esforços para o bem da nação e do povo“, disse ela. “Nem por um momento eu promovi meus próprios interesses pessoais mas trabalhei somente para o que eu acreditei ser negócios públicos para o estado“.

Ela só admitiu ter “falhado em gerenciar corretamente” aqueles ao seu redor, prometendo oferecer mais explicações sobre o escândalo Choi em breve de forma separada. Mais uma vez, ela se retirou após seu discurso, sem abrir para perguntas da imprensa.

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