Em mais uma reportagem exclusiva do Koreapost, a nossa editora chefe e enviada especial à Coreia, Carol Lee, conversa com o rapper Samukera, ou Samuel Koung Min Won, que durante muito tempo, na infância, assim como outros coreanos, também sofreu com uma crise de identidade e foi o hiphop coreano que o fez encontrar-se.

A algum tempo atrás, o Koreapost fez outra entrevista com Samukera, mas agora, acompanhamos o sucesso do rapper em sua incursão pela terra de seus antepassados.

Como está sendo a sua vida na Coreia?

Me sinto dentro de um intercâmbio, mas sem escola ou estágio. Posso dizer que aprendendo coisas novas e tendo novas experiências, mas pra alguns pode parecer uma mera viagem. Parece que está sendo feita sem roteiros, mas calma, estou com objetivos também haha… Quando digo sem roteiro é porque nem eu quero ter spoilers da minha estadia. Tudo é novo –  resumindo, posso dizer que esta minha vinda está me dando novas inspirações e ambições e que já ganhei muitos novos amigos.

O que te motivou a vir para a Coreia?

Primeiramente, meus pais. Quero saber mais deste país do qual o sangue corre em minhas veias. E como hoje muitos buscam influências musicais através das raízes, eu busquei também as minhas. Há quem diga que vim por lazer ou pra fazer música. Eu vim pois tenho foco e tenho consciência que através de mim abrirei portas pra a nova geração que está por vir.

Qual a diferença do mundo do hiphop na Coreia e o Brasil?

Muitas coisas são diferentes – cultura, estilo, postura, assunto e por aí vai. Mas no fim, o Hip-Hop é um movimento mundial na qual nos entendemos em um só. Posso ver que sou respeitado como um igual, de Rapper pra Rapper. O respeito e o amor é mútuo. Posso dizer que a Coreia já esta em um nível acima de aceitação ao Hip-Hop. Já no Brasil, estamos caminhando pra isso.

Como você conheceu os ídolos do mundo do rap coreano?

Conheci graças a boas amizades que fiz com o Rapercussion (um grupo coreano que se apresenta tocando musicas populares brasileiras, como o Axé). Eu e o líder Zion Luz, hoje, somos mais que amigos, somos irmãos. Ele me acolheu e vem me ensinando coisas da cultura coreana que eu desconhecia. Se não tivéssemos nos conhecido no Brasil, acho que as coisas não estariam acontecendo da forma que estão em minha caminhada. Graças a ele tive oportunidade de conhecer os pilares do cenário do Rap na Coreia. Aí o resto foi comigo. Me apresentei e mostrei quem eu sou. No rap temos um ditado “real recognize real” os verdadeiros se reconhecem. Hoje essa frase finalmente faz sentido.

Tiger JK, Samukera e Junoflo. Foto: Arquivo Pessoal
Tiger JK, Samukera e Junoflo. Foto: Arquivo Pessoal

Quais as experiências mais inesquecíveis que viveu na Coreia e no Brasil?

Subir ao palco com Drunken Tiger e cantar o refrão da “난 널 원해” (I want you), isso foi algo que nenhum dinheiro poderá jamais comprar. Pra um coreano brasileiro como eu, sonhar sempre foi um luxo e viver do sonho então, jamais. Então, eu subir ao palco com Tiger JK, Bizzy, Yoo Mi Rae, Blacknine, Junoflo e toda familia da Feel Good Music, naquele momento, não era só um sonho do Samukera, “tocar com artistas da FGM”, mas ali, eu me lembrei de cada sonho, cada desaforo, cada desmerecimento. Eu levei tudo para este palco! Há quem diga que foram 4min de fama. Não foi por fama, mas sim por ter um respeito enorme pelos meus ídolos, que me salvaram através da música quando eu sofri na minha infância.

Samukera e a “diva” Yon Mi Rae do grupo MFTBY. Arquivo pessoal.

Quais são seus planos futuros?

Trazer mais conteúdo e firmar melhor meu nome com o cenário do rap aqui na Coreia. Assim, voltarei com várias novidades ao Brasil.

Mande um recado para os fãs!

Não é um caminho facil, viver do sonho. Talvez você não tenha muitas pessoas pra te apoiar, mas o pouco que tive me permitiu estar onde estou. Talvez pareça um conselho clichê, mas se um moleque como eu que nasceu no Canindé, consiguiu chegar até aqui e fazer tudo que hoje eu faço, tenho certeza absoluta que vocês vão fazer coisas surpreendentes, independente do que seja o seu sonho!! Sonhe, viva, se decepcione, se orgulhe, mas o mais importante no final, olhe pra trás e sorria!

Nos dias 2 e 3 de Junho, Samukera estará acompanhado novamente de HaHa & Skull, Rude Paper e Bobby Kim no Rainbow Festival em Seul.

SAMUKERA 3

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