Em uma feira exibindo produtos coreanos em Bangkok no mês passado, sempre que um cliente vinha ao pequeno estande onde ele promovia produtos de beleza, Jake Choi usava seu smartphone para mostrar a eles um videoclipe como parte de seu discurso de vendas.

O vídeo de três minutos inclui uma cena da popular atriz sul-coreana Song Ji Hyo usando um tom de sombra da Maychic. Mostrar o produto em uma celebridade real permitiria que a empresa de cosméticos sul-coreana MCBrains Co. ganhasse rapidamente a atenção dos compradores, uma tarefa que, de outra forma, levaria semanas ou meses.

*Este vídeo foi fornecido pela My Company, a agência de gestão da atriz sul-coreana Song Ji Hyo. É PROIBIDA A SUA REPRODUÇÃO FORA DO CONTEXTO. Yonhap

Compradores tailandeses e de outros países do Sudeste Asiático nunca tinham ouvido falar sobre a MCBrains e seus produtos, mas Choi disse que eles rapidamente abririam suas mentes e carteiras depois de verem o vídeo.

Song Ji Hyo – conhecida na Ásia por estrelar o popular programa de TV sul-coreano “Running Man” – apareceu no vídeo de graça para promover os cosméticos da MCBrains e os bens de consumo de 15 outras empresas menores da Coreia do Sul.

Foto: Soompi, Song Ji Hyo

Com o endosso de Ji Hyo, os compradores estavam certos de que os bens de consumo sul-coreanos eram seguros de usar. Sua presença criou uma impressão favorável que removeu muitos obstáculos nas negociações com os compradores, disse Choi. “Tivemos enormes efeitos de marketing”, disse ele.

Sua empresa conseguiu aproveitar o poder da “hallyu” (a onda coreana de cultura popular) ao promover seus produtos para consumidores estrangeiros durante a exposição de dois dias. A MCBrains exportou mercadorias no valor de US$ 5.000 K para uma empresa tailandesa, o primeiro embarque desde o início das operações em 2016.

O caso ilustrou como a crescente popularidade dos produtos hallyu pode impulsionar as exportações sul-coreanas.

De fato, o K-pop – que geralmente apresenta coreografias e danças de grupos de garotos e garotas – ganhou espaço não apenas na Ásia, mas na América Latina, Europa e Estados Unidos nos últimos anos, e seu impacto vai além da cultura de entretenimento.

O K-pop e a onda coreana mais ampla ressoaram entre os jovens de todo o mundo, mostrando a imagem da Coreia do Sul como o país de origem do fenômeno do K-pop, BTS e PSY com “Gangnam Style”.

Foto: acekpop.com, BTS
Foto: South China Morning Post, PSY

A Hallyu tem sido o núcleo de uma grande transformação cultural para um país que esteve por muito tempo associado à Guerra da Coreia de 1950-53 e às tensões com a Coreia do Norte por causa de seus testes nucleares e de mísseis.

Para impulsionar as exportações de bens de consumo, desde 2010, a Coreia do Sul vem realizando uma série de exposições na China, Indonésia, Vietnã e outros países.

Mais recentemente, a Coreia do Sul revelou um plano ambicioso para aumentar as exportações em cinco grandes bens de consumo, incluindo cosméticos e roupas, em US$ 35 bilhões em 2022, dos US$ 27,7 bilhões em 2018.

Em junho, um total de 175 empresas sul-coreanas realizaram reuniões de negócios com cerca de 300 tailandeses e outros compradores do Sudeste Asiático em Bangkok, à margem de uma exposição da Hallyu, que contou com a participação da boyband de quatro integrantes, WINNER.

Foto: Wattpad, WINNER

O valor combinado dos contratos que sete empresas sul-coreanas assinaram com tailandeses e outros compradores do Sudeste Asiático na exposição de Bangkok chegou a US$ 991.000, segundo a Agência de Promoção de Investimentos do Comércio da Coreia (KOTRA).

A agência de promoção comercial estatal fez uma estimativa conservadora, colocando o valor dos acordos que poderiam ser assinados em um ou dois anos em US$ 31 milhões.

Song Hyo Min, que dirige o ktown4u.com, um shopping online especializado em vendas de CDs de grupos K-pop e seus produtos relacionados, disse que as exposições da Hallyu tem sido uma benção para sua empresa.

A demanda crescente de mais de 200 países por produtos relacionados ao K-pop elevou as vendas de sua empresa para 38 bilhões de won (32,1 milhões de dólares) em 2018, um aumento dramático de 3 bilhões de won em 2011, disse Song.

“O marketing da Hallyu é uma grande ajuda para as empresas menores”, disse Lee Sang Yun, vice-diretor responsável pela exposição da Hallyu no KOTRA.

A KOTRA está planejando convencer as boy bands do K-pop a participar de uma exposição da Hallyu em Dubai em outubro de 2019. O evento pode envolver cerca de 130 empresas menores da Coreia do Sul, incluindo fabricantes de cosméticos e provedores de conteúdo.

A KCON, um festival global de K-pop organizado pela gigante de entretenimento sul-coreana CJ ENM, também se tornou uma plataforma de marketing popular para empresas sul-coreanas e estrangeiras.

O evento de dois dias no Madison Square Garden e no Centro de Convenções Jacob K. Javits em Nova York no início deste mês reuniu 11 bandas de K-pop, incluindo IZ*ONE, Seventeen, NU’EST e The Boyz.

As empresas participantes incluíram a Kakao Friends, uma marca de personagens do principal serviço de mensagens da Coreia do Sul, a Kakao Talk; a marca de comida coreana Bibigo, da CJ Cheiljedang Corp., principal fabricante de alimentos da Coreia do Sul; empresas de cosméticos sul-coreanas e a gigante americana de fast food McDonald’s.

Os eventos atraíram cerca de 55.000 participantes, oferecendo uma oportunidade para empresas sul-coreanas se envolverem com os visitantes e promoverem seus produtos para clientes em potencial, oferecendo amostras grátis de comida coreana.

A KCON aconteceu em 22 ocasiões nas principais cidades do mundo desde sua edição inaugural em Los Angeles, em 2012.

Lee, diretor da Divisão de Promoção Comercial Internacional do Ministério do Comércio, Indústria e Energia, disse que o marketing de celebridades é uma obrigação, já que é um veículo cultural que transmite a imagem de marca e a confiança da Coreia do Sul.

“Eu pretendo fazer um apelo ao Bang Si Hyuk, disse Lee, referindo-se ao chefe da agência de gestão do BTS e seu principal produtor. “Se o BTS participar de uma exposição da Hallyu, seria boa para o país”.

Nota do Koreapost – Aqui no Brasil, os eventos de cultura coreana realizados em São Paulo, mesmo com grupos menores, já mobilizam milhares de fãs. É uma fórmula que certamente já deu muito certo em nosso país. 


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