Choi Seo-hyun, grande fã do BTS, comprou recentemente um cartão com uma foto do integrante Jungkook através do Twitter. O cartão era do álbum, “Love Yourself: Answer”, que sempre vem com uma foto aleatória de um dos sete integrantes. “A probabilidade é de um em sete”, disse Choi. “Se você tiver azar, você compra sete álbuns do BTS, mas tem sete cartões iguais com a foto que você menos gosta”.

Para vencer as probabilidades, ela usou a mídia social, onde muitos superfãs de K-pop trocam itens relacionados a seus ídolos. Ela encontrou uma pessoa que tinha o cartão de Jungkook e comprou.

Fila de fãs para os produtos da linha BT21 do BTS, na loja Line Friends em Hongdae, Seul. Foto: Koreabizwire

“O preço de um cartão de fotos varia de 3.000 won (2,70 dólares) a 50.000 won”, disse ela. “Algumas pessoas dão o cartão de graça, já que ele não está à venda separadamente, mas outros cobram até 100.000 won se o cartão for muito raro e especial”.

 

A popularidade global do K-pop expandiu-se e o crescente número de fãs como Choi gastam seu tempo e dinheiro com entusiasmo, coletando até as menores lembranças de suas estrelas pop favoritas. Com canecas, cadernos, canetas, bolsas, camisetas, copos e chinelos com fotos do BTS, EXO, BLACKPINK, TWICE e muitos outros, todos os fãs de K-pop desejam estar mais perto dos artistas que mais gostam.

Bolsa e colar TWICE e camiseta BLACKPINK. Fotos: jaeminseoul.com

“Gastei mais de 1 milhão de won comprando produtos relacionados ao BTS ano passado”, disse outro fã que pediu anonimato. “Às vezes até acho um pouco exagerado, mas é um dos meus grandes passatempos.”

De acordo com os dados mais recentes da Agência de Conteúdo Criativo da Coreia (KOCCA), as vendas totais da indústria fonográfica sul-coreana alcançaram 2,87 trilhões de won no primeiro semestre do ano passado, 9,2% a mais que no ano anterior.

As vendas de mercadorias associadas foram estimadas em 150 bilhões de won apenas no ano passado, incluindo itens criados de forma privada e produtos pirateados. “Fãs com grande lealdade aos cantores compram álbuns e produtos junto. Muitos deles também criam produtos não oficiais”, disse Sung Mi-kyoung, pesquisador sênior da KOCCA.

Fãs do Wanna One compram souvenirs em uma pop up store em Seul. Foto:Koreabizwire

“A cultura do ídolo começou a explodir no segundo semestre de 2017, devido à crescente popularidade global do BTS. Estimativas de 150 bilhões de won em vendas não são infundadas”.

Ele disse que as três principais gravadoras: SM Entertainment Co., JYP Entertainment Corp. e YG Entertainment Inc. já reconheceram o potencial do mercado de bens e começaram a acumular receita lá.

De acordo com seus registros regulatórios, as vendas combinadas de álbuns e conteúdo de música digital das três empresas listadas alcançaram 76,69 bilhões de won no primeiro semestre de 2018.  E eles apostaram um total de 105,44 trilhões de won em vendas de mercadorias, royalties e outras taxas durante o período citado.

Somente a YG ganhou 76,91 bilhões de won em royalties e vendas relacionadas à marca, uma vez que a empresa administra subsidiárias de moda e cosméticos usando marcas de artistas como Big Bang, iKon e Blackpink.

Capas para celular “Tempo” do grupo EXO. Foto: Instagram @smtown_giftshop

A SM, que administra grupos como o EXO, SHINee, Super Junior e outros, administra suas lojas oficiais de mercadorias, a SUM Market e a SMTown Gift shop, no sul de Seul, vendendo uma grande variedade de produtos colaborativos combinados com as marcas de seus artistas.

“Tem sido uma cultura menor entre os jovens fãs do K-pop”, disse Sung. “Mas a partir de agora, seu enorme potencial atrairá toda a indústria de entretenimento para se concentrar neste mercado”. 

Ele disse que 50% dos adolescentes sul-coreanos compraram um item K-pop pelo menos uma vez. “Esses jovens que estão muito dispostos e familiarizados com o gasto de dinheiro em bens relacionados a seus ídolos crescerão e terão maior poder de compra quando chegarem a ter trinta e poucos ou quarenta e poucos anos”.

Porta cartão “The Story of Light” do grupo SHINee. Foto: Instagram @smtown_giftshop

Contra esse pano de fundo, o mercado K-pop está se ampliando em uma indústria de conteúdo abrangente ligada ao desempenho, moda, alimentação, turismo e até mesmo produção. Dezenas de bens e eventos que geram dinheiro podem ser derivados de uma foto de um cantor de K-pop, ela observou.

“As pessoas não consomem música para apenas para ouvir, mas também gostam dessas outras formas de entretenimento. A indústria da música agora vem com shows, mercadorias e propriedade intelectual”, disse a especialista da KOCCA.

“Espero que o setor público aperfeiçoe as questões legais que envolvem os direitos intelectuais para nivelar o campo de ação e fomentar a indústria de conteúdo ainda mais”.


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