As máscaras descartáveis ​​de uso único, que aumentaram significativamente em número na Coreia estão levantando preocupações sobre uma possível disseminação secundária do COVID-19, que ainda persiste em todo o mundo. Esse item que antes era difícil de obter agora é um incômodo.

Depois que os números de casos de coronavírus aumentaram em março, máscaras descartáveis começaram a ser vistas em espaços ao ar livre, como ruas, parques e banheiros públicos. Como os casos de infecção no país não parecem estar diminuindo, com pacientes confirmados tendo passado de 12.400 semana passada, o medo de infecção secundária através dessas máscaras está aumentando.

Em 14 de junho, dois ativistas da Federação Coreana de Movimentos Ambientais (KFEM), junto com um repórter da emissora de TV coreana KBS, procuraram por máscaras descartadas nas ruas movimentadas do distrito de Youngdeungpo, em Seul. A equipe de busca encontrou 27 máscaras após uma hora.

Máscaras descartadas, que a diretriz de reciclagem do Ministério do Meio Ambiente recomenda que não devem ser recicladas mas incineradas, estavam literalmente em todos os lugares.

Os lixeiros disseram que costumam encontrar máscaras deixadas em bancos, pontos de ônibus, estacionamentos ou escadas, onde geralmente há muitos transeuntes, de acordo com a KBS e outras reportagens.

Ativistas da Federação Coreana de Movimentos Ambientais e um repórter da KBS coletaram 27 máscaras nas ruas do Distrito de Youngdeungpo, em Seul, em 14 de junho. Foto: Korea Times/Cortesia da Federação Coreana de Movimentos Ambientais

As imagens da KBS até mostraram uma máscara entre um bando de pombos na rua, levantando questões sobre se os pássaros poderiam carregar alguma substância nociva dessa máscara que poderia ter sido usada por um paciente infectado.

Algumas máscaras foram encontradas dentro de banheiros públicos de estabelecimentos fechados, deixadas ao lado de torneiras. Essas máscaras são mais perigosas do que aquelas encontradas em espaços abertos por causa do espaço restrito de ar. Os responsáveis pela limpeza disseram que usam luvas para pegá-las – em vez de usar pinças, os deixando ainda mais vulneráveis.

As máscaras descartadas nas ruas que são espalhadas pelo vento também provocam preocupação com a propagação do vírus pelo ar.

O número estimado de máscaras descartáveis ​​de uso único é de aproximadamente 20 milhões por dia na Coreia. De acordo com uma pesquisa da OhmyNews, 52 dos 92 entrevistados na faixa dos 20 anos disseram estar usando uma nova máscara todos os dias, levando a uma estimativa de até 26,8 milhões de máscaras sendo descartadas todos os dias.

Os números absolutos sugerem que um grande número de máscaras não estão sendo descartadas adequadamente. A KFEM divulgou estatísticas que mostram que as máscaras de uso único formam uma nova categoria de lixo entre os mais comuns em todo o país e representavam 2,1% do total, junto de bitucas de cigarro com 53%, sacolas plásticas e embalagens de vinil com 16% e copos de papel descartáveis ​​com 5,4%.

O Chosun Ilbo relatou em fevereiro que alguns coreanos, deliberadamente, jogaram fora suas máscaras ​​antes de voltar para casa porque “se sentem relutantes em levá-las para casa“. Isso resultou em um grande acúmulo de máscaras em locais como complexos de apartamentos.

As máscaras que não foram descartadas adequadamente em sacos de lixo plásticos designados pelo governo para incineração, mas colocadas para reciclagem também estão sendo recolhidas a dedo por agentes de limpeza, aumentando a carga de trabalho para esses trabalhadores que são frequentemente os mais vulneráveis ​​à possíveis infecções.

A foto mostra que outros países como a Itália passam pelo mesmo problema. Foto: The Korea Times/AP-Yonhap

O coronavírus pode viver por várias horas ou até dias nessas máscaras, de acordo com um especialista em doenças infecciosas do Instituto Médico da Coreia. Os testes do instituto revelaram que as bactérias deixadas na superfície de uma máscara de uso único permaneceram intactas por pelo menos 48 horas.

As máscaras descartadas se tornaram uma questão global, como nas Ilhas Soko, em Hong Kong, onde os materiais das máscaras cirúrgicas descartadas, que contêm componentes plásticos de polipropileno, representam uma ameaça letal à diversidade marinha. Grupos de ativistas ambientais, como a Oceans Asia e o Plastic Free Sea, relatam e expõe ao mundo o uso irresponsável dessas máscaras e de seus resíduos plásticos.

Movimento Oceans Asia. Foto: Korea Times

Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.

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