Yang Kyung-soon, uma avó de 72 anos que reside em uma pequena vizinhança em Uiseong, na província de Gyeongang do Norte, leva cerca de duas horas de ônibus para ir e voltar de seu banco. Duas vezes por mês, Yang faz uma viagem ao centro da cidade para pagar suas contas de serviços públicos.

Ela tem aplicativos de serviços bancários em seu smartphone que realizam o pagamento de contas em um segundo, mas ela se sente mais confortável em pagar as contas off-line – sem falar no café grátis e na conversa amigável com os bancários.

A equipe do banco me ensinou como usar os aplicativos bancários, mas ainda me parece complicado registrar certificados de autenticação pessoal no aplicativo ou se inscrever para programas financeiros somente no celular”, disse ela.

Yang é uma entre muitos da população que envelhece rapidamente e ainda depende fortemente de operações bancárias off-line na Coreia do Sul, o país mais conectado do mundo, atualmente passando por uma digitalização financeira massiva.

A expansão do banco digital na quarta maior economia da Ásia está no mesmo nível que a da Nova Zelândia em 99% em 2018. É o número mais alto entre os países asiáticos avançados, incluindo Japão e China, que registraram 77% e 84%, respectivamente, de acordo com o relatório da McKinsey intitulado “Asia Banking in the Digital Consumer Age”.

Mas para muitos idosos nascidos antes e depois da Guerra da Coreia de 1950-53, entregar seu dinheiro pessoalmente aos bancários parece mais seguro do que tocar em botões de sim ou não em telefones celulares.

De acordo com pesquisa realizada pelo Banco da Coreia em 2018, apenas 6,3% dos entrevistados com mais de 70 anos fizeram transações financeiras por meio de aplicativos móveis de bancos comerciais nos últimos três meses, o que era muito inferior aos respectivos 87% e 76,2% das pessoas na casa dos 30 e 40 anos.

Assinantes com 60 anos ou mais dos bancos nacionais que são apenas vinculados à Internet, incluindo o KakaoBank e o K Bank, correspondem à 3% do total em média, de acordo com o deputado Yoo Dong-soo do Partido Democrata no poder, citando dados dos dois bancos.

Apesar da relutância dos idosos em abraçar a digitalização, os principais bancos comerciais do país fecharam dezenas de agências físicas no ano passado como parte dos planos de inovação digital.

O número de agências bancárias físicas diminuiu em 304, restando 6.405, mostraram dados da Federação de Bancos da Coreia. A maior parte dos encerramentos de agências ocorreu na capital e nas cidades metropolitanas.

A exclusão digital também significa falta de acesso a informações de fins lucrativos. Yoon Jeong-hwan, um funcionário de escritório de 56 anos que mora na província de Gyeonggi, descobriu recentemente que os produtos apenas online cobram menos taxas de comissão.

Apesar dos benefícios dos serviços de banco digital, eu normalmente acabo recorrendo ao atendimento pessoalmente com os bancários para tomar decisões monetárias importantes, especialmente em relação à gestão de ativos”, disse ele. “Assim me sinto aliviado, mas sinto que estou perdendo a oportunidade de investir de modo mais lucrativo.”

A rápida digitalização financeira da Coreia do Sul aos olhos dos idosos
Kim Hong-kwan, instrutor especialista do Conselho de Educação Financeira, organização sem fins lucrativos, ensina pessoas com idades entre 65 e 80 anos no Jeonggwan Senior Welfare Center em Gijang-gun, Busan, sobre como usar os serviços bancários digitais de credores locais via Zoom, em 23 de maio.

Passos de bebê para finanças digitalizadas

Kim Hong-kwan, um ex-financista de quase 60 anos, que trabalhou no Woori Financial Group por mais de 30 anos, tornou-se recentemente o chamado “professor de finanças digitais” para idosos não familiarizados com serviços de internet e mobile banking.

Tenho ensinado pessoas com idades entre 65 e 80 anos sobre como usar os serviços bancários digitais dos credores locais desde maio do ano passado via Zoom. Com a preocupação com golpes financeiros direcionados aos idosos, muitos estão relutantes em fazer transações financeiras por meio de seus smartphones”, disse ele.

Após a aposentadoria, Kim começou a servir como instrutor especialista no Conselho de Educação Financeira, instituição sem fins lucrativos. A organização lançou programas educacionais para adultos mais velhos em maio do ano passado, financiados pelo Fundo de Cartão de Crédito, com o objetivo de reduzir a exclusão digital ou uma lacuna de conhecimento entre as gerações mais jovens e mais velhas no setor financeiro, à medida em que os bancos expandem a inovação na área de finanças digitais.

A questão é que, mesmo depois de assistir às minhas palestras, os idosos ainda acham difícil ativar aplicativos de banco móvel por conta própria e recorrem a visitas a agências físicas próximas ou transações de caixa eletrônico”, disse Kim.

A transformação digital em curso nos círculos financeiros é inevitável, mas leva tempo para os idosos se adaptarem ao ambiente financeiro em rápida mudança. Os credores locais precisam, pelo menos, diminuir o ritmo de fechamento de caixas eletrônicos”, acrescentou.

Como parte dos esforços para ajudar os idosos a se adaptarem às tendências digitais e tecnologias no setor financeiro, a Comissão de Serviços Financeiros anunciou no ano passado uma estrutura de política abrangente, incluindo diretrizes que aconselham os bancos locais a lidar com as dificuldades dos idosos ao usar os aplicativos móveis e sites dos bancos.

Atualmente, os quatro maiores bancos do país, incluindo Shinhan, KB Kookmin, Woori e Hana, fornecem uma versão separada de seu aplicativo de banco móvel especialmente desenvolvido para idosos, com letras grandes e ilustrações fáceis de entender.

Eles também estão oferecendo materiais educacionais baseados em dispositivos móveis que informam os clientes idosos sobre novos serviços bancários, bem como métodos de inscrição para programas financeiros digitais.

Especialistas afirmam que as autoridades financeiras e os credores locais devem criar mais oportunidades educacionais off-line para que os adultos mais velhos melhorem seu conhecimento digital.

Colocar os bancários no comando de oferecer educação digital para idosos em agências bancárias off-line pode ser uma opção”, disse Byun Hae-won, pesquisador do Instituto de Pesquisa de Seguros da Coreia.

Em parceria com os governos locais, bem como instituições educacionais sem fins lucrativos, o regulador financeiro e agências governamentais relacionadas devem instruir pessoas qualificadas para a educação digital sênior, aumentando os gastos em programas educacionais relacionados.”


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