No crepúsculo de sua vida, a artista coreana Bang Hai-ja, que trabalha e mora na França, está vendo sua carreira brilhar. Suas pinturas sobre a vida, o amor e a paz através da luz foram recentemente escolhidas para decorar os vitrais da Catedral de Chartres, na França.

Olhando para suas pinturas, que utilizam a luz e por consequência exploram a vida, com as brilhantes tonalidades do cosmos, era difícil acreditar que um trabalho tão poderoso e envolvente venha da pequena e gentil senhora de 80 anos.

Enquanto estudava em Paris, fiz uma peregrinação à catedral. Meus pés doíam terrivelmente, lembro-me que fiquei muito comovida ao espiar pela torre do sino, um campo de cevada em torno da catedral“, disse Bang durante uma entrevista que ocorreu em seu estúdio no Museu Youngeun em Gwangju, nos arredores de Seul, onde ela tem feito uma residência artística.

Suas obras de arte serão exibidas no site da UNESCO como Patrimônio Mundial, o que segundo ela é uma honra, e ela crê que seja a mensagem de suas obras que influenciou na decisão.

Na apresentação de 14 de março na catedral, ela disse: “Eu expliquei que (cada parte do) trabalho de quatro partes representam: luz, vida, amor e paz. O que cria um ciclo virtuoso em que a luz é vida, a vida é amor e o amor, por sua vez, é paz”.

 

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Nascida em 1937 em Seul, ela mostrou um talento para a arte desde cedo. Enquanto estudava literatura francesa para se tornar poeta, sua professora do ensino médio a encorajou a estudar arte, dizendo: “A pintura não é feita pela mão, mas pelo coração. E você tem isso em você“.

Depois de se formar na Universidade Nacional de Seul, ela conseguiu se mudar para Paris em 1961 com a ajuda de seus pais que tinham mente aberta e a apoiaram, ambos amantes de artes e professores. Em 1963, conheceu o respeitado historiador de arte e crítico Pierre Courthion, que se tornou seu maior defensor até sua morte em 1988, aos 86 anos.

Bang Hai-ja fez parte da primeira geração de pintores abstratos da Coreia. Foto: gazou.eklablog.com
Bang Hai-ja fez parte da primeira geração de pintores abstratos da Coreia. Foto: gazou.eklablog.com

Embora sua vida como uma jovem artista tivesse um bom começo em Paris, ela chamou esse período de “pedaço mais difícil” de sua vida.

De repente ela teve que se sustentar devido à situação de sua família. Ela não podia contatar seus pais quando quisesse, porque um telefonema era um luxo na Coréia devastada pela guerra e levava cerca de duas semanas para receber uma resposta às suas cartas. Só depois de se casar ela conseguiu voltar para casa e se reencontrar com seus pais. Isso foi em janeiro de 1968.

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Fazendo uma retrospectiva, ela conta que a luz veio para ela como o centro de seu mundo artístico, e não o contrário.

Como uma criança doente, ela passava a maior parte do tempo sentada, pensando e observando, em vez de brincar. Um dia, ela viu a luz do sol brilhando em um riacho perto da casa de seus avós. Encantada, ela se perguntou se poderia pintar aquilo.

Seu fascínio pela luz continuou enquanto ela crescia. Em Paris, ela teve um sonho surreal, onde uma luz maravilhosa refletia na água do oceano e ela estava pintando.

Agora, seu trabalho será exibido na Catedral de Chartres, o que é uma nova chance de espalhar sua crença de que tudo está conectado e de que não há necessidade de separar uma coisa da outra, explicou a artista.

Catedral de Chartes, na França. Foto:
Catedral de Chartes, na França. Foto:

Um grão de arroz é produzido pelo trabalho da terra, água, luz, fazendeiro e vento e assim por diante. A comida, por sua vez, me faz. Tudo e cada pessoa que você encontra neste mundo se soma a mim“, disse ela.

Eu quero que minha arte ajude a compartilhar essa ideia com os outros. Quando eu derramo minha alma na minha arte, ela se move e cura as pessoas.

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