As autoridades de Hong Kong reforçaram a segurança em torno do consulado sul-coreano na cidade, em meio a relatos de que um adolescente de uma equipe de matemática norte-coreana, em visita à cidade, havia desertado, informou a imprensa local.

A polícia intensificou patrulhas em torno do edifício que abriga a missão diplomática no distrito de Admiralty de Hong Kong após o jornal da cidade, South China Morning Post (SCMP) informar que um homem de 18 anos de idade tinha procurado asilo político.

O desertor fazia parte de uma delegação de oito integrantes que participava da 57ª Olimpíada Internacional de Matemática na Universidade de Ciência e Tecnologia de Hong Kong.

O grupo consistia de seis estudantes e dois professores, mas os professores levaram o grupo de volta através da fronteira de imigração interna da China, com um aluno à menos.

(Fonte: Radio Free Asian)
(Fonte: Radio Free Asian)

O funcionário que atendeu o telefone no consulado sul-coreano na quinta-feira se recusou a comentar o assunto.

Não há nenhum porta-voz e nenhum departamento, que deseje fazer uma declaração sobre este assunto neste momento“, disse o funcionário.

O Ministério das Relações Exteriores da China disse apenas que estava “seguindo os protocolos pertinentes”. Não foi possível contatatar a organização da Olimpíada pois durante toda a quinta-feira, ninguém atendeu ao telefone.

De guarda

A imprensa local mostrou policiais armados montando guarda nas entradas para o edifício Far East Finance Center, que abriga a missão sul-coreana.

De acordo com o SCMP, o jovem desapareceu entre o final da noite de 16 de Julho e início da manhã no dia 17 de julho, após a cerimônia de encerramento da competição de matemática.

O resto da delegação norte-coreana deixou Hong Kong no posto de fronteira de Lo Wu, em 19 de julho, segundo o jornal.

Foi revelando, apenas posteriormenteque, o aluno ausente havia desertado e fora em busca de asilo“, disse.

O site da competição listou os alunos ganhadores de medalhas de ouro como sendo Ri Myong-Hyok e Jon Kum-Song e os medalhistas de prata como sendo Choe Un-Song, Han Yu-Song, Kim Il-Jin e Ri Jong-Yol.

Pelo menos três alunos do grupo já tinham viajado para fora da Coreia do Norte e todos falavam inglês fluente.

Os jornalistas de Hong Kong foram convidados a se retirar do lobby do consulado na quinta-feira, e o Cônsul Geral sul-coreano Kim Kwang-Dong e seus funcionários continuaram recusando a comentar o assunto.

Repetidas tentativas de fazer contato com a missão norte-coreana por telefone ou pessoalmente produziu nenhum resultado, embora o escritório consular parecesse estar em normalidade, disse que o SCMP.

Na Coréia do Sul, um funcionário do Ministério das Relações Exteriores disse à Reuters que é política oficial não comentar sobre o estado de desertores norte-coreanos, a fim de protegê-los de represálias.

O objetivo do desertor

Steve Chung, especialista norte-coreano da Universidade Chinesa de Hong Kong, disse que o objetivo do desertor seja provavelmente viver em um terceiro país e não em Hong Kong. “Aqueles que são capazes de chegar a Hong Kong são geralmente membros da elite política do páis, como um funcionário de alto escalão, por exemplo“, disse Chung. “Normalmente eles alegam perseguição política, mas este caso, é um pouco diferente.”

Normalmente o desertor seleciona o país mais apropriado e, em seguida, procura asilo no consulado desse país“, disse ele. Chung disse que o papel de Hong Kong em eventos como este é muito limitado.

Na verdade, há muito pouco que as autoridades de Hong Kong possam fazer sobre isso, porque esta é uma questão diplomática“, disse Chung. “No entanto, o consulado sul-coreano pode, se eles acreditam que há algum tipo de ameaça, chamar a polícia para obter ajuda“.

As autoridades da Coreia do Norte normalmente fazem retaliação contra as famílias dos desertores, e oferecerem recompensas e promoções para quem relata traficantes de pessoas e tentativas de deserção.

Pyongyang também instituiu um programa intensivo de “educação ideológica” projetado para parar seus cidadãos que trabalham na China, de desertarem para a Coreia do Sul.

De acordo com o Ministério da Unificação da Coreia do Sul, cerca de 2.700 desertores entraram na Coreia do Sul em 2011, caindo para 1.396 em 2014.

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