A Zona Desmilitarizada (DMZ) em Cheorwon, na Província de Gangwon, na fronteira entre o Sul e o Norte, é uma das áreas mais perigosas do mundo com inúmeras minas terrestres e tensão tangível, mas também é um paraíso acidental para a flora e a fauna desde que a área foi fechada ao público em 1953.

O simbolismo da DMZ inspirou muitos artistas e a coreana Choi Jae-eun não é exceção. Ela participou do Real DMZ Project 2014, com a instalação de néon e som “No Borders Exist in Nature” na estação Woljeong-ri.

Durante a abertura do Real DMZ Project 2014, eu imediatamente imaginei jardins suspensos conectando o Sul e o Norte“, relembrou Choi sobre o início de seu projeto “Dreaming of Earth“.

O arquiteto Shigeru Ban se juntou e deu mais forma ao projeto. Choi e Ban surgiram com o conceito de ter um parque atravessando a DMZ e “jeongja“, ou pavilhões, espalhados pelo passeio.

As duas condições eram que deveria ser uma estrutura suspensa acima do solo e a estrutura deveria estar tão perto da natureza quanto possível. É um parque e as pessoas vão querer descansar, então nós colocamos pavilhões e torres pela trilha“, disse Choi.

O projeto recebeu um convite para a Bienal de Arquitetura de Veneza 2016 depois que Choi anunciou o projeto no final de 2015. “Apresentamos o rascunho do Dreaming of Earth em Veneza. É um projeto que transcende as fronteiras e sinto o dever de deixar mais pessoas a par disso isso.”

O modelo conceitual de “Dreaming of Earth” só tem o esboço do castelo Gung Ye e da trilha, não a fronteira que divide a DMZ. Choi se interessou pelas ruínas do castelo de Gung Ye na DMZ, que agora está fora do limite para o público. Gung Ye foi o rei do breve reino de Taebong (901-918), que mais tarde se tornou o Reino Goryeo (918-1392).

O castelo Gung Ye será a peça central do projeto e Choi planeja aflorar as ruínas. “Gung Ye sonhou com uma comunidade ideal e o castelo mantém o espírito de uma utopia democrática. Agora, as ruínas do castelo estão na DMZ e a divisão da Coreia do Norte e do Sul deixou a área desabitada e intocada por décadas. A DMZ é agora governada pelas leis da natureza e acho que este é um verdadeiro paraíso“, explicou Choi.

A lista de artistas participantes inclui Olafur Eliasson, Lee Bul, Lee U-fan, Tadashi Kawamata e Seung H-Sang, bem como o coletivo Studio Mumbai. O arquiteto Cho Min-suk e o cientista Jeong Jae-seung, também juntaram-se a Choi.

Uma versão de Olafur Eliasson e Sebastian Behman para o “Condensation Pavilion” como parte do projeto “Dreaming of Earth”. Imagem: Cortesia do Studio Other Spaces

Os jardins suspensos projetados por Ban serão instalados entre três a seis metros acima do solo e o comprimento total é de cerca de 20 quilômetros. Os artistas participantes apresentaram projetos de casas usando materiais como solo, rochas, árvores, vento e luz.

À medida que o projeto se desenvolveu, tornou-se interdisciplinar. No início, era uma coleção de obras públicas, mas agora abrange um banco de sementes e um banco de conhecimento, bem como um plano abrangente para remover minas terrestres na área.

O arquiteto Cho projetou o Banco de Sementes e o Banco de Conhecimento no 2º Túnel, um túnel de 3,5 km feito por norte-coreanos para invadir o Sul, que foi descoberto em 1975 e Jeong desenhou um manual para o que armazenar no Banco de Conhecimento.

No entanto, a realização do projeto ainda é incerta. Considerando as recentes relações com Pyongyang, é impossível desenvolver a área agora. Choi apresentou a proposta ao Ministério da Unificação em 2015, mas ainda não recebeu aprovação.

É um projeto onírico, que prepara as Coreias para a unificação que virá algum dia. Artistas do mundo todo participaram do projeto para sonhar juntos. Nenhum deles pensou que poderíamos construir nada na DMZ imediatamente”, disse Choi. “Eu não tenho pressa e tenho cinco lugares vagos de pavilhões e dois para torres, para artistas norte-coreanos poderem participar nesse projeto algum dia.


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