Um determinado centro de tratamento para COVID-19 na Coreia do Sul está tratando exclusivamente de pacientes estrangeiros, em um primeiro esforço do país em oferecer melhor tratamento aos estrangeiros que contraíram essa doença.

Os centros de tratamento foram criados como forma de atenuar a escassez de leitos, abrigando pacientes com sintomas leves e deixando que mais quartos estejam livres para pacientes mais graves ou mesmo em estado crítico. Um desses centros inaugurados mês passado em Paju, na província de Gyeonggi, é destinado exclusivamente para pacientes estrangeiros.

No dia 5 de abril, uma mulher chinesa de 35 anos doou mais de 1.2 milhões de wons em dinheiro vivo como agradecimento aos profissionais do centro de Paju, onde ela chegou a ficar internada por 11 dias antes de ficar completamente recuperada.

Uma paciente chinesa doou cerca de 1,2 milhão de won em dinheiro como agradecimento aos médicos do centro de Paju. Foto: Cortesia de um Funcionário.

Em uma carta, ela disse ser grata por tudo e que ela desejava poder ajudar a outros do mesmo modo que ela foi ajudada.

Nós concentramos os pacientes estrangeiros em um único centro para atender diferentes necessidades visto que eles podem ter como dificuldades de comunicação devido à barreira do idioma” disse Eun-jin Chang, que trabalha no Serviço Nacional de Segurança da Saúde e que também dirige as operações no centro.

Sete servidores do serviço estadual de saúde foram enviados para o centro, alguns deles podem falar mais de um idioma estrangeiro. “São feitos muitos anúncios a cada dia no centro – sempre nas horas das refeições e antes dos médicos fazerem suas rondas, por exemplo. Nossos funcionários se comunicam com eles em inglês ou chinês” disse Chang.

O centro de tratamento em Paju era originalmente um dormitório para jogadores de futebol, e passou por uma grande reforma antes de ser reaberto em 25 de março como estabelecimento médico. Um sistema de alto-falante, uma sala de crise e um ônibus médico com equipamento de raio X estão entre as aquisições.

Equipes médicas improvisaram uma cama usando cadeiras para serem usadas no turno da noite. Foto: Cortesia de uma Enfermeira

Por volta de 50 servidores, desde os ministros da Saúde e do Meio Ambiente, a agência distrital de polícia, a base militar mais próxima e até a companhia de serviço de desinfecção, além de 7 médicos, quatro enfermeiros e dois assistentes de enfermagem estão atualmente destacados para trabalhar no estabelecimento que tem capacidade para 56 quartos.

Desde a abertura duas semanas e meia atrás, o centro já recebeu 21 pacientes. Três deles receberam alta. Dois foram transferidos para outros hospitais devido piora nos sintomas.

O doutor chefe do centro, o neurocirurgião à 18 anos Sung-yun Cho, disse que, quando foi designada a equipe de sete médicos, ele se sentiu “hesitante” em tomar a iniciativa de convidar os profissionais. “O trabalho implica em não ver a família por um período, trabalhar horas extras mesmo depois de terminado o turno no hospital e a possibilidade de ser infectado. Mas nenhum dos que eu perguntei se negou e eles pegaram a oportunidade voluntariamente”.

O time de médicos é composto pelos colegas do Dr. Cho do Hospital Nova Coreia na vizinha cidade de Gimpo, onde ele trabalha. Um é especialista em reabilitação, outro é neurologista – nenhum deles trata normalmente de doenças respiratórias.

Porque isso é uma situação quase semelhante à guerra, médicos de todos os departamentos e especialidades estão mobilizados contra a COVID_19” disse ele.

Os sete médicos dividiram os turnos para ficarem em prontidão 24 horas por dia, sete dias por semana. Perguntado qual era a parte mais difícil nesse trabalho, Dr. Cho disse que era informar os pacientes que o teste deu resultado positivo. “Eles costumam dizer “meu Deus’ e depois silenciam. Eu realmente lamento muito por eles.

Pacientes são testados e tem raios X tirados de seus tórax uma a duas vezes por semana. Aqueles que tem dois resultados negativos seguidos são classificados como recuperados.

Dr. Cho disse que os pacientes não podem deixar seus quartos, servidores da saúde e funcionários auxiliares são os únicos com quem eles podem entrar em contato enquanto estão internados.

Todas as manhãs doutores e enfermeiros ligam perguntam como estão se sentindo e se estão precisando de algo. “Imagine se encontrar sozinho, doente em um país estrangeiro” diz ele, acrescentando que o centro é para casos leves, então dificuldades emocionais podem ser a parte mais difícil que os pacientes podem enfrentar, já que estão longe de casa e da família.

O Centro Nacional de Traumas por Desastres oferece serviços de aconselhamento, mas os mais experientes e capacitados só falam coreano. As equipes médicas precisam prestar mais atenção aos pacientes estrangeiros” disse ele.

Tentar fazer os pacientes se sentirem em casa foi também o seu trabalho além de prestar atendimento médico. Mas pacientes estrangeiros tendem a lidar com isso melhores que pacientes coreanos, disse ele. “Alguns pacientes dizem que eles estariam pior em casa. Eles estão gratos por estarem aqui.

Estando no centro, há mais ligação com os pacientes do que haveria em circunstâncias comuns, disse a enfermeira chefe Hyo-jung Jo. O centro tem internet sem fio e pacientes e equipe médica tem um grupo de mensagens no KakaoTalk onde eles trocam mensagens casuais.

Dois dos pacientes passaram seus aniversários aqui, então nós demos a eles uma festa” disse ela. Algumas vezes os pacientes fazem pedidos especiais – chá de ervas, lanches ou algo para ler. Enfermeiros tentam atendê-los.

Os quartos dos pacientes são equipados com comodidades encontradas no comércio como café, chá, macarrão instantâneo, secador de cabelos, chaleira elétrica e produtos de higiene.

Ela conta que em duas semanas que ela tem trabalhado no centro, só folgou dois dias. Antes de dois auxiliares e outro enfermeiro chegarem no dia 9, os três enfermeiros trabalhavam cerca de 10 a 12 horas por dias. Durante os turnos noturnos eles recorriam a rápidos cochilos e improvisaram uma área de descanso usando cadeiras como camas.

Para minimizar os riscos de transmissão o Ministro da Saúde alugou alguns andares de um estabelecimento comercial, a 10 minutos a pé de distância do centro, para cerca de 60 funcionários e auxiliares, a maioria deles estão sem verem suas famílias desde que começaram a trabalhar lá.

Os funcionários da saúde enviados para o centro de tratamento trabalham na sala de situação. Foto: Cortesia de um Funcionário.

Medidas de segurança são rigidamente seguidas por todos os auxiliares. Usar máscaras é obrigatório todo o tempo, e desinfecções são feitas várias vezes ao dia. “Nós nunca comemos fora e nossas saídas ao hotel e ao centro são estritamente limitadas” disse Chang do Serviço Nacional de Saúde.

As refeições vem em marmitas entregues três vezes ao dia. Comer comida quente é um luxo.

Jo disse que ao mesmo tempo em que o que mais lhe pesa é a falta da família, se sentir útil e querida pelos pacientes é o que ajuda ela no decorrer do dia.

Eu sabia exatamente com o que eu estava concordando quando eu me voluntariei. Meus pais estão preocupados mas eles entendem que é o meu trabalho estar aqui, pelos pacientes”.


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