Espera-se que o presidente sul-coreano Moon Jae-in, depois de reorganizar sua equipe de segurança com figuras conhecidas por serem favoráveis ao engajamento com a Coreia do Norte, pressione por um avanço nas relações estagnadas com o país vizinho.

Moon convocou Suh Hoon, diretor do Serviço Nacional de Inteligência, como seu consultor de segurança nacional, e nomeou Park Jie-won, ex-legislador e enviado especial para a Coreia do Norte, para suceder Suh como chefe de espionagem. Lee In-young, um legislador do Partido Democrata da Coreia, foi nomeado ministro da Unificação, preenchendo a vaga depois que Kim Yeon-chul renunciou, no mês passado, devido ao desgaste nas relações inter-coreanas.

Analistas dizem que essa mudança é uma indicação clara da forte determinação de Moon em romper o impasse e seguir em frente após a demolição, pelo Norte, de um escritório de ligação conjunto, o que trouxe incertezas para as relações inter-coreanas.

“Moon colocou especialistas em Coreia do Norte à frente dos assuntos peninsulares, indicando que ele está determinado a encontrar uma forma de avançar nas relações inter-coreanas”, afirmou Park Won-gon, professor de política internacional da Universidade Handong Global, ao The Korea Herald.

Park Jie-won (segundo da esquerda) foi apontado como o novo diretor do Serviço de Inteligência Nacional e Suh Hoon (direita) como diretor do Escritório de Segurança Nacional | Fonte: Yonhap

“Park Jie-won e Lee In-young são políticos veteranos, que podem se expressar mais e ser mais motivados que os burocratas, enquanto Suh Hoon é um conhecido entendedor de Coreia do Norte”, continuou o especialista. “Moon tem a intenção de melhorar a situação norte-coreana e conduzir o processo de paz durante o restante de seu mandato.”

Park Jie-won, que não conseguiu um quinto mandato como parlamentar nas eleições legislativas de abril, é conhecido por seu papel na mediação da primeira cúpula inter-coreana em 2000, enquanto secretário-chefe do falecido presidente Kim Dae-jung. Park acompanhou Kim em sua viagem à Coreia do Norte para encontrar o então líder norte-coreano Kim Jong-il, pai do atual líder Kim Jong-un. Ele é conhecido por ter mantido uma rede de contatos com o Norte desde então. Ele também conheceu duas gerações da família Kim, incluindo Jong-il, Jong-un e sua irmã mais nova, Yo-jong.

A escolha de Moon por Park foi uma surpresa, pois o político veterano de 78 anos não é um confidente nem um membro do partido de Moon. Park teve enfrentamentos com Moon por anos e deixou o Partido Democrata em 2016 em meio a lutas fracionárias.

Ele também foi preso em 2006 por enviar secretamente US$ 450 milhões para o Norte antes da cúpula em 2000 e desviar US$ 13 milhões em comissão.

Apesar de tanta controvérsia, a nomeação de Park como chefe de espionagem reflete a determinação de Moon em reiniciar o diálogo e aliviar as tensões com o Norte.

“Park contribuiu para o acordo da cúpula inter-coreana em 2000, possui grande experiência em questões norte-coreanas e prestou consultoria em assuntos peninsulares ao governo em exercício”, disse o porta-voz da Casa Azul, Kang Min-seok, ao anunciar a decisão.

O novo chefe de espionagem Park Jie-won (centro) e outras autoridades sul-coreanas se encontraram com Kim Yo-jong, irmã mais nova de Kim Jong-un, em 2019 | Fonte: The Japan Times

Suh está substituindo Chung Eui-yong como principal consultor de segurança de Moon na Casa Azul. A saída de Chung era amplamente esperada, visto que havia crescentes pedidos para substituí-lo em meio ao agravamento das relações inter-coreanas. O diplomata de carreira atuou como chefe da agência de espionagem por três anos, desde que Moon chegou ao poder. Chung, juntamente com outro assessor de Moon, Im Jong-seok, ex-chefe de gabinete presidencial, atuará como consultor especial para assuntos diplomáticos e de segurança.

A escolha de Suh por Moon como novo assessor era prevista, visto que ele é o principal especialista do país em Coreia do Norte. O oficial de inteligência de longa data participou da organização de cúpulas inter-coreanas anteriores, em 2000 e 2007, e também desempenhou um papel importante nas três cúpulas de Moon com Kim Jong-un em abril, maio e setembro de 2018. Ele também é conhecido como o sul-coreano que se reuniu mais vezes com o falecido líder norte-coreano Kim Jong-il e tem uma ampla rede de contatos no Norte.

“Eu tenho uma grande responsabilidade por assumir o cargo em um momento tão sério, tanto interna quanto externamente”, disse Suh após o anúncio. “Responderemos prudentemente à situação atual na península coreana, mas também nos prepararemos para às vezes agir com ousadia. É muito importante garantir continuamente o apoio da comunidade internacional à nossa política externa e à nossa política em relação à Coreia do Norte.”

Lee In Young, novo ministro da Unificação sul-coreano | Fonte: International Business Times

O representante Lee In-young, ex-líder do Partido Democrata e parlamentar por quatro mandatos, liderará o Ministério da Unificação, que é responsável pelos assuntos inter-coreanos.

Lee, conhecido por liderar o movimento estudantil pró-democracia na década de 1980, tem presidido o comitê do partido governista no desenvolvimento de laços inter-coreanos e demonstrou profundo interesse pelas questões norte-coreanas.

“Aceitei a indicação (de Moon) com um senso de urgência de que deveríamos abrir novamente a porta da paz antes que ela seja fechada”, disse ele. “Precisamos retomar o diálogo (entre as duas Coreias) para discutir o que podemos fazer imediatamente, como por exemplo cooperação humanitária, e trabalhar para implementar os nossos acordos existentes”.

Yang Moo-jin, professor da Universidade de Estudos sobre a Coreia do Norte, enfatizou que a última remodelação reflete a determinação de Moon em buscar um ciclo virtuoso de relações inter-coreanas aprimoradas e melhores negociações entre Pyongyang e Washington.

“Centrando-se em Suh, a nova equipe de segurança procurará equilibrar as relações inter-coreanas, bem como os laços Pyongyang-Washington, disse Yang. “Suh entende a filosofia do Presidente Moon e a importância da aliança EUA-Coreia do Sul e do desenvolvimento de relações inter-coreanas. A nova equipe se preparará para estabilizar a península coreana e evitar mais deteriorações e, quando as relações descongelarem, buscarão uma cooperação inter-coreana ativa.”

Mas o foco pesado da equipe de segurança na Coreia do Norte também suscita preocupação.

“Embora a questão norte-coreana seja crítica, as tensões entre EUA e China, elevadas com a pandemia de COVID-19, também é um problema sério”, disse o professor Park. “O aumento da tensão EUA-China limitará as manobras diplomáticas de Seul. É preocupante que a nova equipe não tenha uma pessoa para lidar com essas questões diplomáticas.”


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