Internautas chineses vêm postando uma série de mensagens de insatisfação na conta do Instagram de Lee Hyo-ri, uma das estrelas do K-pop.

Tudo teve início quando Hyo-ri, no programa de variedades Hang Out With Yoo da MBC TV, que foi ao ar no final de agosto, propôs usar “Mao” como seu nome artístico.

Desde então, internautas chineses começaram a denunciá-la por menosprezar Mao Zedong (o equivalente em inglês de Mao Tsé-Tung, como é conhecido em português) – figura histórica de extrema importância para a China moderna, que foi líder do Partido Comunista desde a sua fundação, em 1949, até 1976, e que goza de grande respeito e admiração da população chinesa – postando mensagens de protesto no perfil da cantora no Instagram.

Mao Tsé-Tung. Foto: Wikipedia

À medida em que a controvérsia se desenrolava, muitos internautas sul-coreanos se perguntaram o que havia de errado com os comentários de Lee. Ao passo em que os internautas de ambos os países discutiam calorosamente sobre o assunto, a última postagem de Lee na rede social recebeu mais de 210 mil mensagens.

Lee Hyo-ri | Fonte: Soompi.

Internautas chineses passaram a pressionar a celebridade para que ela se desculpasse em chinês, e a fazer postagens criticando figuras históricas sul-coreanas, como o Rei Sejong, o Grande – um dos governantes coreanos mais conhecidos e respeitados, tendo sido o criador do alfabeto coreano.

Em resposta, internautas sul-coreanos postaram imagens do Partido Comunista Chinês (PCCh) reprimindo movimentos pró-democracia, incluindo o emblemático massacre de 1989, conhecido como o Massacre da Paz Celestial (Tiananmen), um episódio da história chinesa extremamente sensível, que o governo do país evita endereçar, e que a população ou desconhece, ou não se sente confortável em mencionar (por motivos de censura e limitação da liberdade de expressão).

 

Assim que a controvérsia passou a ganhar maiores proporções, a MBC TV editou os comentários de Lee no seu serviço de streaming.

Sobre a controvérsia, o site de notícias sul-coreano The Korea Bizwire escreveu que, até agora, a China não tem hesitado em exibir seu poder, infligindo enormes prejuízos aos países vizinhos, o que evidencia o desgaste na relação da China com algumas nações do seu entorno.

Retrato de Mao Tsé-Tung no portão norte da Praça da Paz Celestial, em Pequim | Fonte: UPI.

Um bom exemplo disso, segundo o site, é a retaliação econômica, por parte de Pequim, contra a Coreia do Sul no episódio da implantação do sistema Terminal High Altitude Area Defense (THAAD), em 2017. O THAAD, em linhas gerais, trata-se de um sistema de mísseis implantado em território sul-coreano em conjunto com os Estados Unidos, sob a justificativa oficial de interceptar possíveis ataques provenientes da Coreia do Norte. A sua implantação, contudo, foi interpretada pela China como uma ameaça à sua própria segurança, caracterizando um impasse que deteriorou as relações entre Pequim e Seul.

A retaliação econômica serviu de combustível para fortalecer o sentimento anti-China na Coreia do Sul – sentimento esse que foi exacerbado com a pandemia de coronavírus.

Em uma situação em que essas memórias ainda permanecem vivas, os internautas chineses, na visão sul-coreana, estão atacando uma cantora coreana indiscriminadamente, postando centenas de milhares de mensagens de teor considerado ofensivo.

Este fenômeno é amplamente avaliado na Coreia do Sul como tendo mostrado o estado atual da opinião pública na China, que por vezes segue na direção errada.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



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