A Coreia do Sul reforça, mais uma vez, o pedido de distanciamento social pelas próximas semanas, pois o país testemunha uma onda de disseminação de infecções e contaminação em comunidades, o que pode retroceder o atual decrescente número de novos casos de COVID-19.

Ao anunciar o plano de 15 dias para um distanciamento social mais rigoroso, o primeiro-ministro Chung Sye-kyun disse que aderir à prática é de extrema importância para conter a propagação da doença antes do início do semestre da primavera, em 3 de abril.

Isso significa cancelar planos e passeios não essenciais – incluindo jantar fora. Com exceção de compras de supermercado, visitas a médicos ou deslocações para o trabalho, disse ele. Sair ao ar livre apenas sob a condição de que uma distância de 2 metros seja mantida dos outros.

Limpeza, Desinfecção e Proteção. Algumas das armas da Coreia, contra o vírus. Foto: Time

Embora a orientação seja em grande parte uma reiteração de medidas promovidas pelas autoridades de saúde nas últimas três semanas, o governo espera que o aumento da prática a curto prazo – se seguido rigorosamente – ajude a diminuir a tensão no sistema de saúde já sobrecarregado.

A velocidade de propagação precisa ser reduzida para um nível em que o número de pacientes seja mantido abaixo da capacidade do sistema de saúde“, disse Chung.

A cidade de Daegu informou, ainda no sábado, que 110 pacientes do COVID-19 ainda estavam esperando para serem internados em hospitais. Embora seja um número bem inferior ao registrado no início deste mês (quando o número de pacientes sem leitos atingiu mais de 2 mil), a falta de cuidados profissionais podem levar a mortes evitáveis, especialmente entre os grupos de risco.

Na semana passada, uma mulher de 86 anos, de Daegu, morreu após recorrer ao auto-isolamento, apesar de ter sido confirmada com o vírus em 8 de março. Ela não pôde receber tratamento até ser levada à sala de emergência em 11 de março por dificuldades respiratórias.

A estratégia da Coreia contra o vírus abrangeu testes e isolamento, sem restrições impostas a movimentos ou proibições de viagens, mesmo na cidade mais afetada de Daegu, quando em apenas um dia registrou 900 novos casos.

Mas as autoridades de saúde agora estão repensando se irão manter o distanciamento social opcional, pois mais de 80% dos casos registrados estão relacionados a atividades que envolvem contato social.

Até agora, o distanciamento social não foi rigorosamente estabelecido. As pessoas ainda estão aparecendo em lugares onde o risco de pegar o vírus é alto – como bares e boates”, disse uma autoridade do Ministério da Saúde ao Korea Herald. “Nesse ritmo, não sabemos quando o próximo ‘Shincheonji‘ acontecerá“.

Shincheonji é uma igreja cristã messiânica que está ligada a pelo menos 2.400 casos registrados.

O funcionário do ministério disse que a imposição de medidas para melhorar o cumprimento do distanciamento social, que não são juridicamente vinculativos no momento, “não está completamente fora de questão” se o surto não mostrar sinais de um declínio considerável no final do ultimato de 15 dias.

A diminuição de novos casos registrados nos últimos dias levou os coreanos, em particular as faixas etárias mais jovens, a ignorar o distanciamento social.

Essa complacência é injustificada, de acordo com a Organização Mundial da Saúde.

As pessoas mais jovens não são poupadas“, disse o Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor geral da OMS, em uma entrevista no fim de semana.

Dados de muitos países mostram claramente que pessoas com menos de 50 anos representam uma proporção significativa de pacientes que necessitam de hospitalização“, disse ele.

Especialistas temem que as fronteiras abertas apresentam ameaças de uma segunda ou terceira onda da doença.

Em um mundo hiperconectado em que vivemos, as infecções vindas do exterior são inevitáveis“, disse Choi Jae-wook, especialista em medicina preventiva no Hospital Universitário da Coreia, pedindo a implementação de uma quarentena obrigatória em visitantes e repatriados de todas as regiões afetadas.

Kim Sang-hee, chefe do escritório de mapeamento de vírus do Aeroporto de Incheon, disse em uma reunião com o primeiro-ministro que a pandemia crescente está provocando um aumento no número de passageiros que entram no país.

Na quarta-feira, cerca de um terço dos 300 passageiros da Europa eram sintomáticos“, disse ela. “Existem apenas cerca de 50 salas de pressão negativa no aeroporto, que não podem acomodar todos aqueles que chegam com sintomas“.

Outra medida adotada pela Coreia foi testar a todos de maneira rápida, indo até aqueles com os sintomas, fossem eles cidadãos coreanos ou não. Foto: CNN

Os Centros de Controle e Prevenção de Doenças da Coreia disse que 15 dos 98 novos casos confirmados no sábado vieram do exterior.

O vice-diretor do centro, Kwon Jun-wook, disse em um briefing na semana passada, que a realidade de uma pandemia de vírus exige que costumes como lavar as mãos com frequência e o distanciamento social se tornem “as novas normas para se acostumar“.

As piores coisas imagináveis estão se tornando realidade com a crise do COVID-19. Agora estamos vendo uma onda explosiva de casos em todo o mundo, do tipo que a Coreia já experimentou. O Centro de Controle de Doenças está determinada a vencer a batalha contra o vírus e, eventualmente, haverá uma vacina e tratamento ”, disse ele.

Mas até então, o pilar principal para combater o vírus deve vir do público – através da observação rigorosa da prática de distanciamento social e da boa higiene“.


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