fumaça poluente liberada por chaminés em parque industrial na Coreia do Sul

O aumento dos preços da energia e o plano final do governo para cortar drasticamente as emissões de gases de efeito estufa estão gerando preocupações sobre a “inflação verde” – aumentos nos preços de metais, minerais e outros recursos naturais necessários para tecnologias renováveis.

Fontes da indústria disseram na terça-feira que a Coreia “tem muitos motivos para estar nervosa” com os aumentos nos custos de serviços públicos, já que os preços das principais fontes de energia em todo o mundo têm subido drasticamente.

Na segunda-feira, o petróleo Brent atingiu o preço mais alto de três anos de $ 86,04 por barril, enquanto o U.S. West Texas Intermediate (WTI) Crude Futures atingiu a maior alta de sete anos de $ 83,73 por barril.

A escassez de gás natural e carvão está em evidência, a exemplo da China, que está lutando com seu suprimento de energia, e de outras economias importantes, as quais estão enfrentando uma demanda maior de energia à medida que se recuperam da pandemia.

Contra esse cenário, o compromisso oficial assumido pelo presidente Moon Jae-in, na segunda-feira, de reduzir as emissões de gases de efeito estufa em 40% em relação aos níveis de 2018 até 2030, está levando as empresas a alternar o uso de combustíveis fósseis por energia verde (mais cara).

Com o objetivo de alcançar a neutralidade de carbono até 2050, a nova meta de redução das emissões de gases de efeito estufa aumentou dos 26,3% anteriormente definidos em 2020.

Para cumprir essa meta, as empresas de manufatura terão que passar por uma grande reforma em suas instalações, já que o carvão e o gás natural liquefeito correspondem por 60% de seu suprimento de energia.

Atualizar as instalações requerirá um grande investimento financeiro. Por exemplo, custa 276 wons (US $ 0,23) por quilowatt-hora para gerar eletricidade a partir de um parque eólico flutuante de 20 gigawatts offshore – proposto para ser construído pelo governo até 2034, de acordo com dados divulgados pelo parlamentar Han, principal opositor do People Power Party (PPP). O legislador disse que esse valor é mais de cinco vezes o custo do uso da eletricidade gerada por usinas nucleares, que o governo Moon pretende eliminar gradualmente.

“Você pode ver por que temos sido contra o plano do governo”, disse um funcionário da Federação das Indústrias Coreanas (FKI), referindo-se ao comunicado do grupo de lobby empresarial divulgado na segunda-feira.

O comunicado argumentou que o governo “não está sendo suficientemente cauteloso” na implementação de sua campanha verde, bem como “não está levando em consideração” as dificuldades enfrentadas pelas empresas na transição para a neutralidade de carbono.

“Eu não discordaria daqueles que dizem que o país está sendo empurrado para a beira da inflação verde”, disse o funcionário

Son Yang-hoon, professor da Incheon National University, disse que os efeitos da inflação verde são temidos “em todos os cantos da sociedade, incluindo as famílias”.

“A maior preocupação é que essa inflação verde possa persistir e ser passada para as gerações futuras se não for tratada de forma adequada”, disse o professor.


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