A Coreia do Sul está agora em uma encruzilhada do coronavírus: As autoridades precisam decidir rapidamente se a reintrodução do distanciamento social é necessária, à medida que o número de infecções aumenta novamente para os níveis iniciais vistos quase meio ano atrás.

Com as autoridades de saúde pública prevendo uma trajetória pior desta vez, conversas sobre ações de mitigação semelhantes a um lockdown estão sendo discutidas.

De acordo com alguns especialistas um esquema antivírus de alta intensidade terá altos custos econômicos.

O relatório do Banco da Coreia, apresentado dia 18 de agosto, disse que “uma crise nos empregos de magnitude significativa” pode estar no horizonte se o país resistir ao lockdown.

O relatório também mostra que cerca de 35% de todos os empregos são “cargos não essenciais e de baixa qualificação” ou são de setores que não conseguem/podem trabalhar remotamente.

Para a maioria, os danos de março e abril, quando o país entrou em distanciamento físico “intensivo”, ainda são recentes.

 

Dona de uma cafeteria em Siheung, província de Gyeonggi, disse que já estava experimentando um declínio no número de clientes desde que o vírus se espalhou pelo país. “As (pequenas) empresas de alimentos estão lutando desde então”, disse ela.

Não acho que as empresas menores serão capazes de sobreviver a outra fase de distanciamento social”, disse um jovem de 28 anos que trabalha em uma distribuidora de filmes. Ele disse que viu poucos ou nenhum projeto durante os meses em que os pedidos de distanciamento estiveram em vigor.

Imagem: Myeong-dong – um dos centros comercias mais movimentados do país (The Korea Herald)

O presidente Moon Jae-in disse na segunda-feira que “não conseguir conter a propagação nesta fase significaria ter de intensificar as restrições” e “Isso se traduzirá em uma ‘parada na vida social’ e trará um custo devastador para a economia”, disse ele, pedindo as pessoas para seguirem os protocolos de segurança.

Várias comunidades médicas, incluindo a Sociedade Coreana de Doenças Infecciosas, a Sociedade Coreana de Epidemiologia e a Sociedade Coreana de Medicina Intensiva, pediram mais intervenções de saúde pública em uma declaração conjunta no domingo, dizendo que o distanciamento físico de grau estrito é “inevitável” para evitar um colapso do sistema de saúde.

De acordo com os dados apresentados, apenas 35% de todos os leitos reservados para o coronavírus, na capital, estavam disponíveis no domingo. Em Seul, uma senhora de 70 anos faleceu em sua casa, na quinta-feira, enquanto esperava para ser admitida em um hospital – marcando assim, a primeira morte desde o pico anterior.

Em Daegu, o primeiro epicentro no país, já mostra pelo menos 5 mortes devido à falta de leitos. Os especialistas em saúde dizem que essa segunda onda deve ser ainda mais difícil de conter.

O especialista em doenças infecciosas, Dr. Kim Woo-joo, do Hospital Universitário da Coreia em Guro, no sul de Seul, disse que, ao contrário de Daegu, onde a grande maioria dos casos foi encontrada entre seguidores da igreja Shincheonji, o aumento recente foi caracterizado por “surtos multifocais ” em todo o país.

Surtos de tamanhos variados estão ocorrendo agora, tornando-os mais difíceis de rastrear”, disse ele. Para mais de um quinto dos casos confirmados na semana passada, o ponto de infecção era desconhecido.

Apesar de contabilizar mais de 100 casos confirmados por 11 dias consecutivos , os Centros Coreanos para Controle e Prevenção de Doenças afirmam que este é apenas o começo de um novo salto. Liderando a agência estadual de saúde, Jung Eun-kyeong disse em um briefing que pode haver uma “proporção substancial de casos não detectados na capital“.

O sociólogo Chang Duk-jin, que faz parte do comitê consultivo do governo para políticas de coronavírus, disse que o país enfrenta “um infeliz trade-off entre a saúde e a economia“.

Segundo ele, com base em indicadores com média diária entre 100 e 200 casos e taxa de reprodução em torno de 2,8 – a situação justifica uma resposta mais rígida. Mas isso precisa ser acompanhado por medidas para amortecer o golpe para os mais vulneráveis da sociedade.

Trabalhadores com contratos de meio período ou temporários que são mais propensos a serem atingidos por perdas de empregos, bem como estabelecimentos de alto risco que estão sendo obrigados a restringir as operações devem ser uma prioridade na obtenção de verbas do governo”, disse ele.

Imagem: Observador

O professor de economia Ahn Dong-hyun, da Universidade Nacional de Seul, sugeriu que uma maneira melhor de gastar esses fundos pode ser pagando as pessoas para ficarem em casa enquanto o país estiver fechado, em vez de encorajá-las a jantar fora e viajar – atividades que contradizem as recomendações médicas.

Se quisermos manter as pessoas em casa e evitar o contágio em locais de trabalho, devemos dar a elas incentivos financeiros que possam criar uma rede de segurança suficiente”, disse ele. “A economia não pode funcionar de forma significativa, a menos que o coronavírus esteja sob controle.”

A especialista em medicina preventiva, Dra. Ki Mo-ran, disse que a adoção de medidas mais intensas deveria ser “o último recurso” e que elas deveriam ser guardadas para uma onda potencialmente maior no final do outono e inverno.

A melhor saída é as pessoas se distanciarem socialmente e usarem máscaras voluntariamente, sem ter que fechar partes do país”, disse ela.


Disclaimer: As opiniões expressas em matérias traduzidas ou em colunas específicas pertencem aos autores orignais e não refletem necessariamente a opinião do KOREAPOST.



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