A unificação das duas Coreias deve ser o ponto de partida para encontrar uma solução permanente para desnuclearizar e estabelecer a paz na Península Coreana, afirmou Moon Hyun-jin, fundador e presidente da Global Peace Foundation (GPF).

Moon, junto de estudiosos, decisores políticos e líderes de grupos civis de todo o mundo revisaram as principais questões diplomáticas globais e identificaram desafios e novas oportunidades para a reunificação, durante o Fórum Internacional One Korea 2020 no Lotte Hotel Seoul, no dia 15 de agosto.

Sob o tema “Realinhamento em meio a mudanças globais: novas oportunidades para uma Coreia livre e unificada”, o fórum foi realizado em comemoração ao 75º aniversário do Dia da Libertação da Coreia, e co-organizado pelo GPF, Action for Korea United (AKU), Alliance for Korea United SUA e Leaders ‘Alliance for Korea Unification.

Com participantes baseados na Coreia, reunidos no hotel, e delegados estrangeiros participando por meio do Zoom, visto que não puderam viajar ao país devido à pandemia de COVID-19, foi expressada a necessidade de novas perspectivas e estratégias para alcançar uma Coreia unificada em meio a um conflito cada vez mais intenso entre EUA e China, à pandemia de COVID-19 e à recente desaceleração nas relações inter-coreanas.

Participantes do Fórum reunidos no Lotte Hotel Seul, no dia 15 de agosto | Fonte: Global Peace Foundation (GPF).

Em seu discurso, o presidente Moon afirmou que a pandemia global criará ramificações políticas e econômicas significativas dentro e fora das fronteiras, que podem levar a novas oportunidades na abordagem da unificação da Península Coreana.

Moon enfatizou o ideal de “Hongik Ingan” como o espírito fundador da Coreia, o qual se traduz em “viver para o bem maior de toda a humanidade” como a verdadeira base do que ele chama de “Sonho Coreano“.

 

“É essencial que uma Coreia unificada reconheça a fonte transcendente de direitos e liberdade para seus cidadãos, conforme se reflete em sua profunda herança espiritual. Emergindo da divisão como uma nova nação, ela deve estar enraizada em uma base sólida de princípios espirituais universais e valores morais”, disse Moon.

“(O Sonho Coreano) descreve a visão de uma Coreia unificada com origens que precedem os sofrimentos sob o domínio colonial e a divisão de 1945. Como resultado, acredito que ele tem o poder de unir as facções de esquerda e direita no Sul, e, em última instância, coreanos tanto no Sul quanto no Norte, com base em uma identidade histórica compartilhada e uma visão e propósito nacionais nobres e comuns.”

Ele argumentou ainda que a visão do Sonho Coreano, que “fornece uma nova oportunidade para os coreanos assumirem o controle de seu próprio destino e criarem uma nova nação, elevando-se acima da estrutura de divisão existente”, pode aproximar as duas Coreias por meio da estrutura sinérgica da economia desenvolvida do Sul e dos recursos naturais e da mão-de-obra inexplorados do Norte.

“Apesar das visões contrárias das duas Coreias em relação às abordagens de unificação, ambas concordam com o princípio de que os próprios coreanos devem determinar a abordagem”, disse ele. Para resolver os problemas de desnuclearização e avançar um processo de unificação liderado pela Coreia, Moon destacou o papel dos movimentos da sociedade civil liderados pelo próprio povo coreano tanto na Coreia como no exterior.

Moon Hyun-jin, fundador e presidente da Global Peace Foundation, durante seu discurso | Fonte: Global Peace Foundation (GPF).

Essa ênfase no papel desempenhado por ativistas civis e líderes comunitários fora da esfera do governo foi reforçada por Edwin J. Feulner, fundador e ex-presidente da Heritage Foundation.

Ao dizer que grupos civis são os principais instrumentos para a criação de engajamento público em movimentos de unificação, Feulner adicionou que “a mobilização de grupos de cidadãos em torno de princípios comuns, particularmente com um objetivo comum de unificação, terá um grande significado para o futuro dos coreanos em ambas as partes do Península.”

Outros oradores notáveis incluíram Ahn Ho-young, presidente da Universidade de Estudos sobre a Coreia do Norte e ex-embaixador nos Estados Unidos; Huiyao Wang, fundador e presidente do Centro para a China e a Globalização, um think tank com sede em Pequim; e William J. Parker, ex-CEO e presidente do Instituto EastWest, com sede em Nova York.

Ahn apontou para o fato de que embora a administração de Moon Jae-in tenha consistemente oferecido “ramos de oliveira”, o regime norte-coreano vem respondendo com ameaças de provocações militares e até com a explosão do escritório de ligação inter-coreano em Gaeseong.

Relembrando a história da unificação da Alemanha, Ahn afirmou que a parceria com a sociedade internacional é uma obrigação. “É uma ilusão pensar que isso (a unificação da Alemanha) teria sido possível sem essa parceria e sem esse entendimento comum entre todas as nações importantes relacionadas com a unificação da Alemanha.”

Edwin Feulner, fundador e ex-presidente da Heritage Foundation, durante seu discurso | Fonte: Global Peace Foundation (GPF).

Durante seu discurso, Wang expressou o apoio da China à desnuclearização e unificação pacífica da Península Coreana, que levará ao desenvolvimento da região Ásia-Pacífico. “Eu realmente espero que esse processo de reunificação pacífica, esse processo de discussão pacífica, esse processo de negociação pacífica possa ser realmente fortalecido e continuado”, disse Wang.

Como estrategista de segurança global, Parker forneceu análises detalhadas sobre o estado político atual da Coreia do Norte e a crise nuclear em curso. Ele afirmou que a posse de armas nucleares pelo Norte pode levar o Sul e o Japão a também se tornarem nações nuclearizadas.

Parker sugeriu possíveis soluções ligando as estratégias de desnuclearização lideradas pelos EUA à ideia de unificação liderada pela Coreia e explicitada pela abordagem do Sonho Coreano de Moon. Como “um chamado à ação para coreanos e apoiadores em todos os lugares para alcançar uma nova nação enraizada em um passado comum”, o sonho coreano oferece um roteiro eficaz junto com esforços para eliminar todas as armas nucleares do Norte, disse ele.

O presidente da GPF International, James P. Flynn, afirmou que embora o cenário geopolítico em relação à Coreia dividida seja drasticamente diferente daquele de um ano atrás, oportunidades significativas podem surgir para novas análises e percepções que levarão a uma Coreia livre e unificada.

Cantores sul-coreanos reunidos para cantar a música de unificação ‘One Dream One Korea’. A música ‘Number One Korea’, contudo, é a mais recente | Fonte: Twitter.

Seo In-teck, co-presidente da Action for Korea United (AKU), explicou a importância do fórum como uma plataforma para a construção de “um consenso sobre a visão da unificação coreana”, enquanto Kim Choong-hwan, presidente do Instituto para a Paz e a Unificação da Coreia falou sobre a necessidade de a comunidade internacional se concentrar não apenas na questão da desnuclearização, mas também na da unificação.

O fórum virtual apresentado no Zoom e no YouTube contou com a presença de acadêmicos, formadores de opinião e membros da AKU de 11 filiais, reunidos ao vivo em reuniões provinciais em todo o país. Membros de filiais internacionais da AKU, de países como Japão, Estados Unidos, Mongólia, Nepal, Indonésia, Camboja, Quênia e Tanzânia também compareceram.

No fórum, uma nova canção de unificação intitulada “Number One Korea” foi apresentada, tendo sido interpretada pelo cantor Na Tae-joo e pelos K-Tigers, um time de mestres de taekwondo campeões mundiais. A música tem como objetivo desenvolver a consciência internacional para a unificação através da onda coreana, ou Hallyu, e da integração da arte marcial coreana com a linguagem universal da música.

A GPF e a AKU sediarão outro fórum virtual, com o tema de uma Coreia livre e unificada, em 30 de setembro, na Mongólia, e em parceria com a ONG Blue Banner, organização que visa promover a não proliferação nuclear, com foco no avanço da cooperação regional no Nordeste Asiático.


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