Um Tribunal de Seul sentenciou o vice-presidente da Samsung Electronics Lee Jae-yong a cinco anos de prisão na sexta-feira (25/08), considerando-o culpado por suborno, apropriação indevida de fundos e outras acusações no escândalo maciço de corrupção que resultou no impeachment da ex-presidente Park Geun-hye.

O Tribunal Central Distrital de Seul proferiu o veredicto, condenando Lee pelo envolvimento da Samsung no fornecimento de 7,2 bilhões de wons (US$ 6,38 milhões) em subornos para o treinamento equestre da filha de Choi Soon-sil, amiga e confidente de Park Geun-hye.

Os promotores exigiram uma sentença de 12 anos de prisão para Lee sob a acusação de oferecer e promover 43,3 bilhões de wons em subornos para ganhar favorecimento do governo para a fusão de duas unidades da Samsung, em termos que aumentariam seu controle de todo o império da Samsung, de modo a cimentar a transferência de poder de seu pai doente, Lee Kun-hee.

O cerne deste caso é a estreita relação entre poderes políticos e econômicos“, afirmou o tribunal no veredito.  “Parece ser difícil para as pessoas se recuperarem da decepção com a relação tão próxima entre um presidente e um enorme conglomerado que não existia no passado, mas sim no presente“.

O tribunal também afirmou que Lee manteve a posição de maiores ganhos com essa convivência, mesmo que ele e outros acusados tenham aceito de forma passiva as demandas de Park, ao invés de pedir favores e fornecer subornos ativamente.

Trata-se de um caso no qual os executivos da Samsung… forneceram uma grande quantidade de dinheiro por subornos a presidente, que mantinha uma posição de poder nas decisões de políticas/econômicas, em antecipação de auxílios no processo de sucessão,” disse o tribunal.

O veredito representa um dos mais pesados já imputado à um chefe de um grande conglomerado na Coreia do Sul. Espera-se que seja um forte golpe na imagem da empresa global de eletrônicos, devido ao prolongado vácuo de liderança.

Lee, que está sob prisão preventiva desde fevereiro, também foi acusado por fraude fiscal, desvio de ativos no exterior, ocultação de procedimento penais e perjúrio, todos decorrentes do escândalo de corrupção que abalou a Coreia do Sul por meses e resultou na remoção forçada de Park Geun-hye da presidência.

Lee negou todas as acusações e aguarda para recorrer da decisão. Ele e seus advogados alegaram que Lee não teve envolvimento nem conhecimento da decisão da Samsung em oferecer dinheiro, e que os outros executivos tomaram a decisão por medo de retaliação de Park e Choi.  Ele também alegou que nunca buscou favores do governo em nenhum dos três encontros privados com a ex-presidente Park.

Contudo, o tribunal rejeitou os argumentos, afirmando que Lee delegou para os demais executivos as demandas de Park por doações para o treinamento equestre da filha de vinte anos de Choi, Chung Yoo-ra, e que estes relataram sobre as doações a ele. “Está claro que Lee cometeu crimes em conluio com os demais réus” disse o tribunal.

Lee, vestido em um terno azul marinho sem gravata, não demonstrou nenhuma mudança emocional no rosto enquanto o veredito era lido.Vice-Presidente Da Samsung Electronics, Lee Jae-Yong, É Conduzido Ao Tribunal Após Chegar No Tribunal Central Distrital De Seul Em 25 De Agosto De 2017. (Yonhap)

Vice-presidente da Samsung Electronics, Lee Jae-yong, é conduzido ao tribunal após chegar no Tribunal Central Distrital de Seul em 25 de agosto de 2017. (Yonhap)

Quatro dos antigos executivos de alto escalão da Samsung também foram condenados. Choi Gee-sung, ex-chefe do antigo Departamento de Futuro Estratégico, e seu ex-representante Chang Choong-ki foram sentenciados a quatro anos de prisão, enquanto Park Sang-jin, o ex-presidente da Samsung Electronics, e outro ex-presidente Hwang Sung-soo foram sentenciados a suspensão de mandatos. Choi e Chang foram presos imediatamente após a decisão.

O veredito de sexta-feira é ligado de forma íntima à ex-presidente deposta, porque a condenação por suborno de Lee significa que Park também pode ser considerada culpada.  Ela foi presa no final de março por uma série de acusações, incluindo recebimento de suborno.

O caso também é visto como um teste decisivo de tolerância dos tribunais sul coreanos para com proprietários de conglomerados familiares.  Em muitos casos de corrupção anteriores, os tribunais muitas vezes condenavam magnatas a suspensão de mandatos ou a termos leves, citando sua contribuição para a economia do país.

Cerca de 800 policiais da tropa de choque foram posicionados ao redor do Tribunal Central Distrital de Seul para evitar possíveis confrontos entre grupos de manifestantes que planejam protestos, um ao favor da punição de Lee e outro ao favor de sua libertação.

A polícia também manteve patrulhamento nas entradas do tribunal para garantir que os manifestantes não entrassem. Um sinal de aviso foi colocado no interior do prédio, informando sobre distúrbios no tribunal que podem estar sujeitos à punição criminal.

O Tribunal 417 também é onde o pai de Lee, presidente da Samsung Lee Kun-hee, recebeu o julgamento em 2008 sob a acusação de sonegação de impostos e transferência ilegal de ativos da empresa para seu filho e herdeiro. Ele foi condenado a uma pena de prisão que está suspensa no momento. Lee Kun-hee encontra-se acamado há mais de três anos desde que sofreu um ataque cardíaco em 2014.


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