Estudante Kim Hyun-jin tenta encontrar uma vacina disponível através de mapa online.

A estudante sul-coreana Kim Hyun-jin está sentada com os olhos focados na tela de seu telefone, na esperança de conseguir uma vacina contra o coronavírus que alguém em seu bairro de Seul não compareceu para tomar.

Mas depois de 10 dias de foco na tela, Kim, 32, não conseguiu uma vacina, pois as mesmas são escassas em meio a um aumento de novos casos de COVID-19 que começou recentemente e está quebrando recordes diários.

“É como uma guerra”, disse Kim, mostrando um mapa em seu telefone que mostra que não há vacinas disponíveis no sul de Seul. “Nunca aparece nenhuma vacina, não importa o quão loucamente você clique, e estou com raiva e sem esperança, perdendo meu tempo.”

Kim é apenas um dos muitos jovens sul-coreanos que se sentem injustamente acusados pelas autoridades como o principal causador do surto de COVID-19 por conta de suas atividades sociais, mesmo com o governo priorizando a distribuição de vacinas para pessoas mais velhas e vulneráveis.

“Eu não teria feito isso [procurar vacinas online] se eles tivessem vacinas suficientes e o ressurgimento das infecções de COVID-19 não tivesse acontecido”, disse Kim.

da Universidade Nacional de Artes da CoréiaMúltiplas postagens no Kopas, um fórum online para estudantes da Korea University, acusaram o governo de não conseguir mais vacinas, obtendo dezenas de comentários de apoio por parte do público jovem.

Lee Ki-il, vice-ministro de políticas de saúde, disse que a compra de vacinas aumentará a partir de agosto e que o governo pretende vacinar todas as pessoas elegíveis, incluindo jovens, até o final de setembro.

Juventude Sul-Coreana &Quot;Luta&Quot; Por Vacinas
Aplicativo de mapa indica locais onde há vacinas disponíveis.

“É perturbador e injusto que as autoridades nos culpem por espalhar a pandemia quando não há como conseguirmos uma vacina”, disse Nam Yu-ra, que disse estar na casa dos 20 anos e não conseguiu reservar uma vacina online.

A Coreia do Sul tem enfrentado com grande sucesso o coronavírus, com um total de 175.046 casos e 2.051 mortes em uma população de 52 milhões de habitantes, por meio de um sistema de rastreamento e teste em massa e sem recorrer a lockdowns severos.

No papel, a Coreia do Sul comprou doses suficientes para vacinar sua população duas vezes. Mas a campanha desacelerou esta semana em meio à escassez global de suprimentos e atrasos nas remessas, com cerca de 30 mil pessoas recebendo uma injeção por dia, ante mais de 850 mil por dia no início de junho, mostraram dados da Agência de Controle e Prevenção de Doenças da Coreia.

Apenas 31,1% das pessoas receberam pelo menos uma dose da vacina até quinta-feira, bem abaixo dos 60% em outros países avançados, como Grã-Bretanha e Cingapura.

Para os jovens que receberam a vacina, há alívio, mas também decepção com o processo de vacinação.

Com um sorriso radiante, Kim Ha-ram, uma estudante universitária de 21 anos, mostra a tela de seu telefone com sua página do Facebook com um distintivo indicando seu status de vacinada.

Ela disse que teve sorte de ganhar uma dose restante da Pfizer pouco antes das infecções diárias dispararem na semana passada e desencadearem uma corrida para as vacinas. Mas isso foi depois de um dia e meio de cliques frenéticos.

“Nós, entre 20 e 30 anos, somos de fato socialmente ativos e devemos ser cautelosos quanto a sair e beber”, disse Kim. “Mas… nós também somos as maiores vítimas do fornecimento instável de vacinas da Coreia.”


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