O presidente Moon Jae-in ordenou a abolição dos polêmicos livros de história aprovados pela ex-presidente Park Geun-hye para estudantes do ensino fundamental e médio.

Os livros escritos pelo Estado haviam sido controversos em toda a administração conservadora de Park Geun-hye, com muitos historiadores dizendo que tal intervenção estatal distorceria a história e causaria divisões sociais. “Moon (Jae-in) assinou uma ordem executiva para abolir os livros de história de autoria do estado para normalizar a educação histórica e reconstruir o senso comum e a justiça“, disse o secretário de imprensa do atual presidente, Yoon Young-chan, durante uma coletiva de imprensa.

Yoon Young-chan chamou os livro do Estado de “um símbolo da educação desatualizada e uniforme que despertou divisões na nação“.

A decisão de Moon Jae-in mostrou sua firme convicção de que a educação histórica não deve ser usada para promover nenhuma agenda política particular, disse ele.

As versões finais dos livros escritos pelo Estado foram publicadas no final de janeiro, depois que a ex-presidente Park Geun-hye, que foi demitida do cargo em março, decidiu restabelecer esses livros didáticos em 2015.

Park Geun-hye acusou os livros escritos por editoras privadas de serem parciais e pró-Coreia do Norte.

Os críticos, no entanto, acusaram Park Geun-hye de tentar glorificar as atividades pró-japonesas durante a ocupação do Japão na Coreia, entre 1910 e 1945, bem como a ditadura militar de seu pai Park Chung-hee, que governou o país por 18 anos após um golpe.

O Partido Democrático da Coreia (DPK) disse que a abolição de tais livros será uma “prioridade máxima para um novo ministro da educação sob o novo governo“. Realmente, Moon Jae-in havia se comprometido a abolir os livros, durante sua campanha.

O atual Presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in. Foto: Time
O atual Presidente da Coreia do Sul, Moon Jae-in. Foto: Time
Marcha pelo Amado

Como parte dos esforços para alterar as decisões controversas tomadas pelo governo de Park, Moon Jae-in também ordenou que o Ministério dos Patriotas e Assuntos dos Veteranos permitisse que uma canção simbólica pró-democracia fosse cantada por todos os participantes durante uma próxima cerimônia comemorativa sobre a insurreição do governo em Gwangju em 1980.

Moon Jae-in ordenou que o ministério designasse Imeul Wihan Haengjingok (Marcha pelo Amado) como uma canção a ser cantada por todos os participantes no 37º memorial do levante de 18 de maio“, disse Yoon Young-chan. “A decisão reflete a forte vontade de Moon (Jae-in) de impedir que o espírito do movimento seja esquecido“.

A canção, que foi popular entre os ativistas estudantis nos anos 80, vinha sendo cantada por todos os participantes no serviço memorial até 2008. Contudo, a conservadora administração de Lee Myung-bak decretou que a canção só poderia ser cantada por corais, a partir de 2011.

Figuras da extrema-direita afirmam que esta canção pertence aos simpatizantes norte-coreanos, enquanto que os liberais argumentaram que a música é um símbolo do movimento pró-democracia da nação.

Apesar das fortes críticas dos parlamentares liberais e dos familiares dos mortos durante o movimento, o governo de Park Geun-hye manteve a decisão do governo de Lee Myung-bak de ter a música cantada somente por corais.

Além destes atos, Moon Jae-in também ordenou a seus assessores que acelerem o estabelecimento de um comitê consultivo encarregado de definir a direção e os objetivos das políticas do governo. “Esse comitê é necessário, já que o novo governo foi lançado sem um período preparatório com um comitê presidencial em transição“, disse Moon Jae-in.

O gabinete presidencial acrescentou que vai estabelecer canais de comunicação on-line e off-line dentro do comitê para que cada cidadão possa sugerir várias ideias para a atual liderança política.


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