Após seu retorno a Seul depois de sua visita de três dias a Pyongyang para a mais recente cúpula inter-coreana, o presidente sul-coreano Moon Jae-in revelou detalhes sobre os compromissos assumidos pelo líder norte-coreano Kim Jong-un.

Um dos principais resultados da cúpula desta semana foi a concordância de Kim em desmantelar o local em que o país realiza seus testes de mísseis de longo-alcance, com a presença de inspetores internacionais, além de fechar seu principal complexo nuclear em Yongbyon, caso os Estados Unidos adotem medidas correspondentes.

Aqui estão alguns dos aspectos principais das negociações com o líder norte-coreano Kim Jong-un, explicados pelo presidente Moon em uma coletiva de imprensa após a cúpula.

1. A vontade de Kim de desnuclearizar

O líder norte-coreano Kim quer que o Secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, visite Pyongyang em breve. Ele também espera realizar uma cúpula com o presidente dos EUA, Donald Trump, para acelerar o processo de desnuclearização.

Kim Jong-un repetidamente afirmou seu compromisso com a desnuclearização”, disse Moon. “Ele expressou seu desejo de concluir a desnuclearização o quanto antes e focar no desenvolvimento econômico.”

“Como vocês sabem, a Coreia do Norte desmantelou completamente seu local de testes nucleares em Punggye-ri. O presidente Kim disse que a Coreia do Norte não pode mais realizar testes nucleares, já que desmantelou completamente seu único local de testes nucleares e que é possível que isto seja verificado a qualquer momento”, disse Moon.

A concordância de Kim em permitir que especialistas internacionais verifiquem o “desmantelamento permanente” do local de testes e de uma plataforma de lançamento equivale ao desmantelamento “verificável e irreversível” das instalações, disse ele.

Uma compreensão diferente do que a desnuclearização acarreta e como isso deve ser feito foi o que motivou a paralisação das negociações entre EUA e Coreia do Norte após a cúpula de Cingapura em junho, durante a qual Kim se comprometeu a trabalhar para a completa desnuclearização da península coreana.

2. Mensagens não divulgadas

Moon disse que mais está acontecendo nos bastidores, mas que detalhes não pudem ser revelados. “Nós (Moon e Kim) trocamos opiniões verbalmente”, disse ele. “Entre o que discutimos, há coisas que não incluímos na declaração conjunta. Eu pretendo transmitir essas mensagens em detalhes para os EUA durante a minha visita ao país.”

Moon irá se encontrar com Trump em Nova York este mês, à propósito da sessão da Assembleia Geral da ONU, que ele espera abrir caminho para a segunda cúpula entre a Coreia do Norte e os EUA.

“Há coisas que os EUA querem que nós transmitamos para a Coreia do Norte e, do outro lado, também há coisas que a Coreia do Norte quer que transmitamos aos EUA”, disse Moon. “Eu servirei fielmente a este papel quando encontrar o presidente Trump para facilitar o diálogo entre a Coreia do Norte e os EUA.”

Pompeo disse na Fox News após a cúpula inter-coreana que os EUA e a Coreia do Norte estão fazendo progresso em suas negociações. “Eu falo com minhas contrapartes com certa frequência“, disse Pompeo na Fox News semana passada. “Nem tudo é reportado [para a mídia]. Estou feliz por isso. Fico feliz de podermos manter esse silêncio. É assim que estamos fazendo o progresso que precisamos”.

3. As perspectivas da Coreia do Norte sobre uma declaração do fim da guerra

Moon reafirmou sua intenção de encerrar formalmente a Guerra da Coreia, que aconteceu entre 1950 e 1953, dizendo que é uma “declaração política” e que Kim compartilha de tal entendimento.

“O conceito que estamos usando quando dizemos ‘declaração de fim de guerra’ é que primeiro faremos uma declaração política sobre o fim da guerra e usaremos isso como um ponto de partida para os esforços para a assinatura um tratado de paz e normalização das relações entre a Coreia do Norte e os EUA, quando a Coreia do Norte alcançar a desnuclearização completa”, disse Moon. As Coreias ainda estão tecnicamente em guerra porque a Guerra da Coreia terminou em 1953 com um armistício de cessar fogo e não um tratado de paz.

“Enquanto conversava com Kim durante minha visita à Coreia do Norte, percebi que ele estava pensando sobre a declaração de fim de guerra da mesma forma que eu”, disse ele. “É uma declaração política do fim da guerra e de nossas relações hostis”.

Moon também expressou preocupações de que a declaração de fim de guerra possa dar a Kim motivos para pedir a dissolução do Comando das Nações Unidas e a remoção das tropas dos EUA estacionadas na Coreia do Sul para deter a ameaça norte-coreana.

“Com a declaração de fim de guerra, as negociações para assinar um tratado de paz começarão. Um tratado de paz poderá ser assinado no estágio final da desnuclearização completa”, disse ele.

“Até lá, o armistício existente continuará em vigor, de modo que o status do Comando das Nações Unidas ou a necessidade de estacionar as tropas dos EUA na Coreia do Sul não são de modo algum afetadas. Esses assuntos podem ser discutidos depois que o tratado de paz for assinado e a paz for estabelecida”.

Especialmente, as tropas dos EUA na Coreia do Sul que estão estacionadas aqui se baseiam na aliança entre a Coreia do Sul e EUA, então não possuem relação com a declaração de fim de guerra ou o tratado de paz e a decisão quanto a isto cabe à Coreia do Sul e aos EUA. Kim concordou com isso”, disse ele. Moon disse que ele tratará da questão quando se encontrar com Trump em Nova York.


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