Apesar da forte oposição de manifestantes “anti-gays”, dezenas de milhares de pessoas desfilaram na 20ª Parada do Orgulho Gay na tarde desse sábado, 1° de junho.

Cerca de 70 mil pessoas compareceram no centro de Seul para defender os direitos da comunidade LGBTQ+ e chamar atenção para àqueles que vivem à margem da sociedade.

“Como parte da minoria, sinto-me isolada e excluída. Eu até sofria de depressão. Mas quando estou aqui, me sinto liberta” – disse Shin Seung-ju, estudante, 27 anos, que participa da parada desde 2015.

Shin Seung-ju. Foto: The Korea Herald

“Eu achava que eu era diferente dos outros. Mas as diferenças nos fazem quem somos. Eu me sinto bem que podemos ser quem somos ”, disse Shin, que faz campanha pelos direitos das transexuais.

Embora a homossexualidade não seja um crime na Coreia do Sul, não existem leis que proíbam a discriminação.

A maioria dos coreanos continua intolerante à homossexualidade, especialmente a geração mais velha e os grupos cristãos conservadores. Eles acreditam que a homossexualidade é um pecado e uma condição que pode ser curada.

Abigail. Foto: The Korea Herald

A parada do orgulho gay – que em seu ano inaugural, em 2000, atraiu cerca de 50 pessoas – cresceu em tamanho e o desfile do ano passado atraiu cerca de 60.000 pessoas.

“Eu vi o desfile crescer. Eu me sinto muito bem já que mais pessoas têm orgulho de serem quem são ”, disse Abigail, uma americana de 47 anos que mora na Coreia há mais de 10 anos. “Estou orgulhosa de como a Coreia cresceu até agora.”

Sobre o Festival

Pastor Kim Jong-hoon. Foto: The Korea Herald

Cerca de 80 barraquinhas foram montadas por organizações de direitos humanos, partidos políticos liberais, empresas globais como a Google Coreia e embaixadas de 13 países, incluindo Canadá, França e Dinamarca, e grupos universitários para vender mercadorias e lançar campanhas para aumentar a compreensão dos direitos gays.

A Comissão Nacional de Direitos Humanos da Coreia, que pretende promulgar uma lei antidiscriminação no país no próximo ano, também se juntou ao evento.

A Igreja Anglicana e a Ordem Jogye do Budismo Coreano estavam entre os grupos religiosos que montaram barracas em apoio à causa. “Jesus não nos ensinou a discriminar as minorias. Eu vim aqui para mostrar nosso apoio a eles”, disse Kim Jong-hoon, um pastor da Igreja Anglicana.

Do outro lado, milhares de ativistas anti-LGBTQ+, em sua maioria grupos de direita e religiosos, realizaram protestos contrários, chamados de “Love Plus Festival”, perto da Seul Plaza.

Eles se opuseram à homossexualidade, segurando cartazes que diziam “a homossexualidade é pecado” ou “o casamento é uma união entre um homem e uma mulher”.

“Eu nego a homossexualidade, especialmente um festival de atos imorais em público”, disse Han Young-dong, de 59 anos, aposentado que se manifestava contrariamente à parada.

Han Young-dong. Foto: The Korea Herald

“Homossexualidade não é normal. Homens e mulheres devem criar filhos e formar famílias para o nosso país “, disse ele. “Estou muito triste com o fato de que muitos jovens estão participando do festival, é uma influência ruim”.

Cerca de 10.000 policiais estavam estacionados ao redor da praça e ao longo da rota do desfile para separar os defensores LGBTQ+ de seus oponentes.

Embora houvessem manifestantes a favor e contrários à causa, o evento transcorreu tranquilamente e nenhum conflito relevante foi relatado.

Orgulho LGBTQ+

Foto: Sara Rampazzo on Unsplash

“Há muitas pessoas que ainda negam a existência de minorias e até mesmo usam de linguagem violenta ao se referir às mesmas, mas a sociedade coreana deve respeitar a diversidade e promover a coexistência”, disse Kang Myeong-jin, chefe do comitê organizador do Festival Queer Culture da Coreia desde 2010.

O ponto alto do dia aconteceu quando os participantes começaram a marcha de 4,5 quilômetros, seguindo 11 caminhões decorados. Eles dançaram ao som do K-pop dos carros alegóricos, aplaudindo os artistas nos caminhões e agitando bandeiras de arco-íris ao longo do caminho.

“É o dia mais feliz do ano. Eu posso ser real comigo mesma e aqui e podemos nos solidarizar”, disse uma mulher de 27 anos, que deu o sobrenome Lee. “Espero que mais pessoas possam participar de festivais para nos apoiar”.

“Espero que o casamento entre pessoas do mesmo sexo possa ser legalizado aqui, como em Taiwan, e que possam implementar uma lei antidiscriminação também”, disse Lee, que mantém um relacionamento secreto com a namorada a dois anos.

Ceca de 70.000 pessoas participaram do evento. Foto: The Korea Herald

Enquanto marchavam, espectadores curiosos se alinhavam na rota do desfile para tirar fotos e gravar vídeos.

“Eu vim aqui para ver como é. Não é nada negativo, como manifestantes anti-gay descrevem. Foi impressionante porque os participantes estavam falando com paixão sobre si mesmos”, disse uma mulher de 26 anos, que só deu o sobrenome Min.

Aqueles que ainda estavam explorando sua identidade também participaram das festividades. “Eu não sei quem eu sou ainda. Eu estou tentando entender. Para mim, a parada do orgulho gay é liberdade – liberdade de ser quem somos sem nos importar com o que os outros pensam de nós”, disse Ji Yeon-ju, 23 anos, estudante universitária.

Muitos dos participantes disseram que a sociedade coreana se tornou mais aberta em comparação ao passado, mas que ainda há um longo caminho a percorrer.

“Eu acho que a percepção das minorias sexuais está se tornando mais positiva a cada ano, mas eu não acho que há uma grande mudança ainda”, disse Choi Sung-won, 19, que participou da parada do orgulho gay pela terceira vez.

Choi, que passou sua infância negando quem era e confuso sobre sua identidade sexual, diz que não se sente seguro na sociedade coreana, onde ele é naturalmente considerado um hétero. “A parada é o único lugar onde podemos mostrar que pessoas como nós existem nesta sociedade”.

A parada do orgulho gay faz parte do Korea Queer Culture Festival que começou em 21 de maio. O festival será realizado até 9 de junho, com uma amostra de filmes LGBTQ+ no Teatro Daehan, no centro de Seul, de quarta a domingo.

A parada do orgulho gay só foi possível depois que um tribunal local decidiu em favor do organizador do evento. Organizações anti-LGBT pediram ao Tribunal Administrativo de Seul para banir o desfile. O tribunal rejeitou, na quinta-feira, citando a liberdade de expressão.

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