Park Won-soon, 64, deixou sua marca no ativismo cívico da Coreia do Sul como um participante ávido e advogado de direitos humanos, mesmo antes de ser eleito prefeito de Seul nas eleições de 2011. Ele foi votado para um terceiro mandato em 2018, tornando-se o prefeito com mais anos de serviço na capital do país, lar de quase 10 milhões de pessoas.

Membro do Partido Democrático da Coreia, o mesmo do presidente Moon Jae-in, Park foi considerado um potencial candidato à presidência nas eleições de 2022. Ele também não tinha sido tímido em suas ambições de concorrer ao mais alto cargo do país.

A carreira política de Park, no entanto, chegou a um fim abrupto quando ele foi encontrado morto na sexta-feira, dia 10, em um aparente suicídio. Apenas dois dias depois que uma ex-secretária apresentou uma queixa de assédio sexual contra ele.

Nascido em 1956, ele era o sexto filho de uma família pobre de agricultores em Changnyeong, província de Gyeongsang do Sul, Park era um leitor de livros assíduo que teve muitos sonhos em sua infância.

Ele foi expulso da prestigiada Universidade Nacional de Seul,em 1975, por participar de um evento em memória de um ativista pró-democracia e preso por quatro meses. Mais tarde se formou na Universidade de Dankook, passou no exame de ordem em 1980 e começou sua carreira como promotor.

Menos de um ano depois, tornou-se advogado em defesa de ativistas políticos, que continuou nos anos 80 e 90.

Imagem: The Korea Herald

Como advogado, Park defendeu uma mulher sexualmente assediada nos anos 90 e ganhou a primeira condenação de assédio sexual na Coreia. Ele havia se rotulado feminista, defendendo publicamente a igualdade de gênero em muitas ocasiões.

Sua vida como ativista cívico começou em 1994, quando ajudou a lançar o projeto Solidariedade Popular para a Democracia Participativa, uma organização não governamental que luta para combater as desigualdades sociais e econômicas do país.

Ele também foi membro fundador de uma organização de advogados progressistas – Advogados de uma Sociedade Democrática – e da Beautiful Foundation, que promove serviços à comunidade e comércio.

Como ativista, Park esteve na vanguarda dos movimentos populares – desde instar os eleitores a rejeitar políticos corruptos até proteger os direitos das partes minoritárias violadas pelos interesses corporativos – representando vocalmente os marginalizados.

Como prefeito da capital, Park enfatizou a melhoria dos meios de subsistência das pessoas, a luta contra a desigualdade econômica e a resolução de problemas urbanos, além de realizar projetos focados no desenvolvimento, que muitos de seus antecessores usavam para promover seu perfil político.

Imagem: CBS News

Park apoiou abertamente os protestos durante a “Revolução das Velas“, nos quais milhões de pessoas estiveram nas ruas do centro de Seul, no final de 2016 e início de 2017, exigindo a expulsão da então presidente Park Geun-hye por um escândalo de corrupção. As manifestações, que duraram meses, levaram à remoção da presidente do cargo.

Conhecido por seu caráter esforçado e meticuloso, o último projeto de política que o próprio Park anunciou foi uma iniciativa “Green New Deal“, que visa reduzir as emissões de carbono da cidade e gerar empregos na indústria verde.

Eu conduzi uma revolução silenciosa nos últimos anos“, disse Park em uma reunião com repórteres na segunda-feira. “Chegou a hora de restaurar vidas e sonhos de cidadãos que foram empurrados para os limites da cidade.”

A morte e o funeral de Park Won-soon ainda estão envoltos em controvérsia pois a causa da morte ainda está sob investigação. O político recebeu inúmeras visitas em seu funeral bem como foi alvo de protestos justamente pelas circunstâncias que o levaram à morte. Só o tempo e os resultados das investigações trarão luz à este acontecimento.


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