Cerca de 150 refugiados estão sendo mantidos em uma sala no Aeroporto Internacional de Incheon, após suas tentativas de entrar na Coreia terem sido negadas. Eles têm acesso ao banheiro, podem tomar banho, e cada um recebeu um cobertor. Além disso, eles recebem comida três vezes ao dia.

Não se sabe ainda, quanto tempo esta situação irá perdurar.

Não iremos, de forma alguma, voltar para o nosso país que ainda está em guerra”, disseram 28 sírios que estão sendo mantidos no aeroporto, após uma ação movida no Tribunal Distrital de Incheon no mês passado. Os mesmos entraram com um recurso para a anulação da decisão do escritório de imigração que rejeitou seu status de refugiados.

Os 28 sírios estão compartilhando uma sala de 470 metros quadrados, que foi planejada para suportar até 30 pessoas, com cidadãos de outros nove países, que também tiveram a sua entrada negada. Entre os países estão Tailândia, China, Egito, Cazaquistão e Paquistão.

Omar (nome fictício) é um dos sírios que estão presos no aeroporto. Desde que deixou Alepo (cidade Síria) em Dezembro, Omar tem transitado entre o Líbano e os Emirados Árabes, e em seguida voou para a Coreia. Entretanto, tudo o que ele viu até agora do país onde se encontra foi o extremo leste do aeroporto de Incheon.

O escritório de imigração do aeroporto decidiu não submeter os seus pedidos de refúgio para o Ministério da Justiça, por “falta de razão clara para a entrada na Coreia do Sul”.

Muitas vezes, não podemos determinar a razão exata para as pessoas estarem deixando seu país natal, e o aeroporto precisa filtrar tais pessoas e negar a sua entrada”, disse um funcionário do Ministério da Justiça.

O escritório de imigração pode recusar-se a processar a solicitação de um estrangeiro ao status de refugiado por várias razões, como por exemplo, a falta de cooperação em identificar-se apropriadamente, o que representa um risco de segurança para o país, ou a inxistência de evidências de perseguição ou medo de perseguição no país de origem.

Existe uma sala separada para os estrangeiros cujo pedido de refúgio foi apresentado ao Ministério da Justiça.

Essa sala é no mesmo andar, mas os que ali ficam recebem um tratamento melhor. Lhes são oferecidas traduções em árabe, inglês e outras línguas, e eles pode se mudar para áreas residenciais fora do aeroporto uma vez que seu pedido tenha sido submetido. Três pessoas nesta situação passaram a usar uma sala de 350 metros quadrados, e que está destinada a receber 28 pessoas, a partir de domingo.

Para aqueles que tem o pedido negado pela imigração, não existe nenhuma proteção do governo. Eles são assistidos pelo Comitê de Operadores das Linhas Aéreas de Incheon.

Forçar a deportação dos 150 estrangeiros também não é uma opção.

O Ministério da Justiça não pode deportar os que tiveram o pedido negado, assim como não pode protege-los, já que não existe base legal para tal ação”, disse um funcionário do ministério. “A melhor opção para agora é definir um limite para o número de pedidos de refúgio”.

No último ano, o número de pedidos ultrapassou, pela primeira vez na Coreia, a quantidade de 5 mil. O número de sírios que quiseram entrar na Coreia, de 2014 até Março de 2016, foi de 345, dos quais 314 foram autorizados a entrar na Coreia. Dos 31 sírios que tiveram o seu pedido negado, 28 deles – incluindo Omar – estão esperando na sala de deportação do aeroporto.

Eu não faço muito mais do que esperar pelo wi-fi para falar com minha família”, diz Omar. Ele diz que não tem como trazer a sua família para junto dele.

Muitas vezes, os sanduiches que nos trazem são hambúrguer de frango, então eu tiro o frango. Nos últimos 5 meses eu tenho vivido a base de pão”, disse um outro sírio de 23 anos. Para alguns, comer frango não é permitido, por questões religiosas.

Eles não podem deixar a sala de deportação sem permissão. O máximo que eles têm visto do lado de fora da sala são algumas lojas que ficam dentro do aeroporto. Desde que apresentaram o recurso, em março, os 28 sírios podem fazer passeios controlados às lojas do aeroporto. Isso lembra um pouco os problemas do personagem fictício Viktor Navorski, vivido por Tom Hanks no filme de 2004, “O Terminal”.


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