As próximas eleições locais e parlamentares, marcadas para o dia 13 de junho, são amplamente vistas como uma avaliação do primeiro ano da administração do presidente Moon Jae-in.

Serão decididas 824 cadeiras em assembleias provinciais e metropolitanas, 2.927 conselheiros locais de nível inferior e 17 superintendentes de educação. Nas eleições parlamentares, estão em disputa as cadeiras da Assembleia Nacional para 12 distritos.

A falta de candidatas mulheres nas próximas eleições é gritante. O Partido Democrata (atualmente no poder), por exemplo, não possui candidatas a chefes de governos metropolitanos e provinciais, embora tenha nomeado um total de 17 membros. O principal partido de oposição, o Partido Coreia Liberdade (Liberty Korea Party), que tem 14 candidatos concorrendo aos mesmos cargos, tem apenas uma mulher em seu quadro.

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Também é difícil de encontrar candidatas nas eleições parlamentares. Entre 46 candidatos de 8 partidos, incluindo os independentes, apenas 3 são mulheres. O Partido Democrata não tem uma única candidata para concorrer às cadeiras da Assembleia Nacional.

Em um momento em que a desigualdade de gênero, diferença salarial e a violência desenfreada contra as mulheres estão sendo intensamente discutidas, a escassez de candidatas é especialmente alarmante, segundo os críticos.

“Parece que a maioria das partidos, especialmente o que está no poder, não têm vontade de pensar sobre a importância da representatividade das mulheres na política do país”, disse Lee Jin-ok, feminista e chefe do grupo Solidariedade Política para Mulheres Coreanas (KWPS).

(Imagem: Yonhap)
(Imagem: Yonhap)

“O Partido Democrata demonstrou que realmente não pensou no que significa para o partido no poder não nomear uma candidata para representar as mulheres, a geração mais jovem e aqueles que lutam pelos direitos trabalhistas nas cadeiras (na Assembleia Nacional, bem como chefes de governos metropolitanos e provinciais)”

Quais são as mulheres que aceitaram o desafio? Estas são algumas candidatas que mais chamaram atenção dos eleitores. 

Kwon Soo-jung, do Partido da Justiça (Justice Party)

Indiscutivelmente, uma das candidatas mais progressistas para as próximas eleições locais é Kwon Soo-jung.  Ex-comissária de bordo da Asiana Airlines, ela está concorrendo a uma cadeira no Conselho Metropolitano de Seul.

Como chefe do sindicato de voos da Asiana Airlines, Kwon lutou contra a empresa para facilitar o código de vestuário de suas funcionárias, alegando que proibir mulheres de usar óculos e calças nos voos é sexista e discriminatório. Em 2014, ela se tornou um dos principais membros da Confederação Coreana de Sindicatos (KCTU).

Com 44 anos, ela está no Partido da Justiça (progressista) e obteve 70% dos votos em uma eleição interna decisória para quem irá concorrer nas próximas eleições locais.

Além das questões de direitos trabalhistas e contra-medidas para lidar com o “gapjil”, (termo que se refere à atitude autoritária dos que estão no poder, especialmente nos locais de trabalho) Kwon disse estar interessada em abordar a questão das diferenças de gênero, com base na diferença salarial e assédio sexual no local de trabalho.

Em Seul, homens recebem uma média de 3.1 milhões de won ($2,867 dólares) por mês, enquanto as mulheres recebem 1.9 milhão de won ($1,757 dólares).

Introduzir uma nova portaria sobre direitos humanos e incluir os direitos de pessoas com deficiência também faz parte das promessas de Kwon.

Bae Hyun-jin. Foto: Alchetron
Bae Hyun-jin. Foto: Alchetron

Bae Hyun-jin,  do Partido Coreia Liberdade (Liberty Korea Party)

Mesmo antes de se juntar ao principal partido de oposição no início deste ano, o Coreia Liberdade, a ex-apresentadora de 34 anos esteve no centro de polêmicas, às vezes sujeita a ataques indubitavelmente misóginos.

Concorrendo a uma cadeira na Assembleia Nacional no distrito de Songpa B em Seul nestas eleições, Bae é uma das únicas 3 mulheres candidatas entre os 46 que estão concorrendo pelas 12 cadeiras.

Na MBC, uma grande empresa de televisão nacional, ela atuou como âncora do noticiário no horário nobre por sete anos (2010-2017).

Em 2012, foi rotulada como “traidora” por sindicalistas da MBC ao sair do sindicato e desistir de uma greve que pedia a renúncia do então diretor da MBC, Kim Jae-chul.

Enquanto seus colegas alegaram que o CEO da MBC estava forçando ilegalmente os funcionários da MBC a produzir conteúdos favoráveis ao então presidente Lee Myung-bak e seu governo, Bae insistiu que era seu direito não endossar a greve e continuar trabalhando como âncora.

Por sua decisão, ela tem sido frequentemente retratada como uma “mulher egoísta e excessivamente ambiciosa”, que só se importa com sua carreira, negligencia seus deveres como cidadã responsável e profissional de mídia. Seus críticos afirmaram que não endossar a greve lhe permitiu manter a posição como apresentadora de notícias do horário nobre da MBC.

Bae foi retirada de sua posição de âncora em dezembro, depois que o novo CEO da MBC, Choi Seong-ho, assumiu o cargo. Ela deixou a MBC em março e se juntou ao partido conservador logo depois.

Bae Hyun-jin decidiu entrar na política porque quer manter seu primeiro e mais importante valor “liberdade”.

“Todos têm o direito de administrar um negócio livremente, trabalhar livremente e viver em uma moradia decente livremente”, disse ela em uma entrevista à mídia local.

“Também falei sobre minha liberdade em continuar minha carreira (sem participar da greve). Ao me tornar uma política, quero trabalhar por uma sociedade onde cada cidadão tenha o direito à liberdade”.

Songpa é um distrito onde muitos dos residentes são profissionais de alto rendimento, como médicos e advogados. Um número de políticos conservadores de peso, incluindo Hong Jun-pyo, Lee Hoi-chang e Kim Eul-dong, já atuaram como legisladores, representando o distrito.

Bae prometeu reduzir impostos para os proprietários de casas e ironicamente, lutar pela independência da mídia contra a administração do presidente Moon Jae-in, a quem ela acusa de controlar a mídia.

Park So-young, do Partido pela Democracia e Paz (Party for Democracy and Peace)

Com 62 anos, Park So-young é a única candidata da região de Gwangju e Jeolla do Sul para as próximas eleições.

Seis mulheres não conseguiram obter indicações do partido. Entre elas, Yang Hyang-ja (ex-executiva da Samsung Electronics) que almejava concorrer à prefeitura de Gwangju e Yoon Nan-sil, uma ex-ativista sindicalista que buscava a chefia de distrito na cidade de Gwangju.

Uma funcionária pública de longa data na região, Park está concorrendo a um cargo de chefe de condado em Yeongam, província de Jeolla do Sul, sua cidade natal.

A candidatura de Park é significativa, pois nunca houve uma mulher na prefeitura ou chefia de distrito em Gwangju desde as primeiras eleições locais em 1995.

Na província de Jeolla do Sul, quatro governadores provinciais e cerca de 80 prefeitos e chefes de distrito serviram desde a década de 1990, mas apenas duas mulheres ocuparam cargos, em razão de seus maridos perderem suas posições após violarem as leis.

Nascida em 1955, Park é filha de um casal de fazendeiros e trabalhou em um pequeno escritório no distrito de Samho, em Yeongam. Após 3 anos, foi transferida para Mokpo, uma das maiores cidades na província de Jeolla do Sul, onde atuou como funcionária pública por quase 40 anos.

As promessas de Park são principalmente focadas na economia. Elas incluem o lançamento de teleféricos em Wolchulsan, uma montanha que abrange os municípios de Gangjin e Yeongam na província de Jeolla do Sul, visando atrair mais turistas e impulsionar a economia regional.


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