Uma análise do genoma humano do Neolítico revelou pela primeira vez que coreanos modernos possuem raízes genéticas com antigos do extremo leste da Rússia e sul da Ásia, de acordo com o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Ulsan (UNIST), na quarta-feira, dia 1 de fevereiro.

O departamento de engenharia biomédica do Instituto de Pesquisa Genômica do UNIST, arqueólogos internacionais, biólogos e pesquisadores de genoma da Grã-Bretanha, Rússia e Alemanha sequenciaram e analisaram o genoma de mulheres do leste asiático que viveram a aproximadamente 7.700 anos atrás.

As amostras de DNA foram coletadas de uma caverna chamada “Devil’s Gate” (Portão do Diabo) no leste da Rússia, ao norte do Rio Tumen. A pesquisa é a primeira análise do mundo focada em coletar o antigo genoma do Leste Asiático, informou UNIST.

A equipe de pesquisa comparou o genoma de indivíduos encontrados na Devil’s Gate com múltiplos grupos étnicos da Ásia moderna. Por consequência, descobriram que uma mistura do genoma de humanos daquela região com nativos do Vietnã e Taiwan são os que melhor combina com indivíduos coreanos.

Jong Bhak, um professor de engenharia biomédica do Instituto de Pesquisa Genômica, que liderou o time de pesquisa, disse que as raízes genéticas dos coreanos foram formadas de uma mistura entre raças do norte e sul da Ásia.

Isso condiz não apenas com migração de genes, mas também com milhares de anos de história,” ele disse. “Isso se trata de uma evidência biológica que explica por definitivo o surgimento das raízes coreanas e suas consequências.”

De modo proporcional, a atual composição genética dos coreanos modernos é mais inclinada aos asiáticos do Sul, porque as populações ao sul eram ricas em agricultura enquanto que raças mais ao norte sobreviviam em grande parte pela caça, adicionou Jong Bhak.

Jong Bhak também adicionou que indivíduos do Leste Asiático, incluindo coreanos, possuem uma grande identidade interna se comparados com outros grupos étnicos do mundo. “O enorme grupo étnico, incluindo a raça Han da China, Coreanos e Japoneses tinham uma grande homogeneidade genética,” disse o professor. “Isso demonstra como eles expandiram exponencialmente pela evolução das civilizações com tecnologias agrárias.

A pesquisa revela que humanos que viveram na Devil’s Gate tinham traços genéticos que incluíam olhos castanhos e incisivos com coroas em forma de pá, como os coreanos. Eles também tinham distinções genéticas típicas e variações de asiáticos do leste moderno, como a intolerância à lactose, tendência a pressão alta, corpos relativamente sem odor e baixa produção de cera no ouvido.

Tal fato expõe que a população do Leste Asiático preservou os traços genéticos de seus ancestrais por milhares de anos, se comparados com Euroasiáticos mais ao Oeste, que perderam a maior parte dos sinais de seus ancestrais devido a imigração e guerras, de acordo com a equipe da pesquisa.

As pessoas do Leste Asiático mantiveram a continuidade genética em cada grupo étnico, sem muita influência de estrangeiros, por pelo menos 8.000 anos,” explicou Jeon Sung-won, pesquisador do Instituto de Pesquisa Genômica do UNIST. Ao invés de conquistas e eliminar outros grupos étnicos existentes, as pessoas com tecnologias revolucionarias como agricultura espalharam isso e mantiveram seus estilos de vida que se adequavam à natureza regional”.

De acordo com a pesquisa, os humanos que viveram na caverna Devil’s Gate foram os ancestrais da população Ulchi. Por se tratar de uma raça minoritária, viveram no extremo leste da Rússia e falavam a língua Tungúsica (um grupo linguístico presente na Sibéria, partes da China e Mongólia). Com exceção dos Ulchis, coreanos apresentaram um genoma mitocondrial muito semelhante aos humanos antigos.

Apresentar o mesmo tipo de genoma mitocondrial significa ter uma mesma linhagem materna, explicou Jeon Sung-won,Podemos dizer que os humanos que viveram ali são como os ancestrais dos coreanos.

A pesquisa foi publicada no dia 1 de fevereiro, na edição internacional da revista científica Science Advances, informou o UNIST.


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