Breaker sul-coreano Kim Heon-jun, conhecido por Skim, durante o evento Red Bull BC One Asin Qualifiers pela equipe Jinjo Crew. Imagem: Jinjoskim/Instagram

Hong Kong e os novatos que rodeiam o break [estilo de dança de rua] asiático deveriam estar fazendo tudo o que estiver ao seu alcance para se tornarem um dos principais nomes do nicho, diz o fundador da Korea Breaking Federation, Kim Heon-jun.

Kim, mais conhecido como “Skim”, também lidera o grupo coreano número três do mundo, o Jinjo Crew, e há tempos que está envolvido na campanha de preparação do país para o “break” estrear nos Jogos Olímpicos de Paris 2024.

Tendo seu quinhão de malabarismos de trabalho de meio período e rebatendo os opositores, Kim agora lidera uma nova era de coreanos no break — uma era que gravita para a indústria de entretenimento, que está em constante crescimento — e espera que o resto siga o seu exemplo.

“Estamos vivendo na era da quarta dimensão”, disse Kim, acrescentando que as restrições criadas em razão da Covid-19 simplificaram efetivamente a comunicação e a tomada de decisões entre os B-boys e os B-girls [dançarinos de break] da nação.

'Robôs não podem nos substituir': Atletas do break coreano olham para além das Olimpíadas
Kim Heon-jun diz que o breaking coreano é bastante desenvolvido, mas os níveis de dança são diferentes em toda a Ásia.
Imagem: Little Shao/Profoto

“Com isso, refiro-me ao metaverso, realidade virtual, IA, todas estas coisas. Mas mesmo quando entramos nesta era, os robôs nunca podem nos substituir. Eles nunca dançarão como nós dançamos”, comentou.

“Ainda estamos melhorando os nossos padrões e está se tornando cada vez mais fácil para as pessoas ganharem dinheiro. A dança pode ser algo muito grande de uma perspectiva empresarial”.

O auge do break coreano veio pouco depois de ter chegado às bases militares dos EUA, no final dos anos 80. A lendária banda Seo Tai-ji and Boys dos anos 90 ajudou a empurrar o fenômeno para a cultura popular, antes da Coreia ter ganhado a sua primeira Batalha Internacional do Ano em 2002.

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Kim Heon-jun é o B-boy que está a frente da Federação Coreana de Breaking e do time Jinjo Crew. Imagem: Jinjo Crew

Alguns consideraram que o estilo já estava estagnado em 2010, apesar de a Coreia estar atualmente classificada como número dois do mundo, apenas atrás dos EUA. O Japão está em terceiro lugar, antes de uma grande queda para o resto do continente.

Fundada em 2001, a Jinjo Crew não demorou muito tempo para encarar os impedimentos burocráticos e o estigma social para enfrentar o território nacional e internacional.

Eles se tornaram a primeira equipe de todas a ganhar os cinco [prêmios?] internacionais (o “grand slam breaking”) e ostentam um armário de troféus que é literalmente grande demais para os seus escritórios.

'Robôs não podem nos substituir': Atletas do break coreano olham para além das Olimpíadas
Foto: Instagram do Grupo

“O break coreano está bastante desenvolvido, mas os níveis de dança são diferentes em toda a Ásia”, disse Kim.

“Esperamos que todos os países possam conseguir mais financiamento do governo, mas quaisquer dançarinos com dificuldades já estão sempre organizando competições por si próprios com pouco ou nenhum apoio. Se realmente querem ajuda, não podem simplesmente dizer, ‘OK, eu gosto de dançar, vou apenas me concentrar na dança’. Não funciona”.

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Apresentação de Skim durante o WSDSF Breaking Championship. Imagem: Jinjoskim/Instagram

“É preciso chegar às pessoas — mesmo àquelas que não estão interessadas em dançar. É preciso tornar o seu grupo apelativo. Não estamos apenas à espera por oportunidades, mas também a fazemos nós mesmos”.

“O meu conselho é que não esperem — ajam. Não se concentrem apenas em dançar. Alcancem e batam à porta das pessoas”, acrescentou Kim

Após a inclusão do breaking em programas de televisão conhecidos — assim como o programa de sobrevivência de dança da Mnet, o Street Woman Fighter — A Coreia está chegando com tudo e com força.

Por exigência do público, haverá o equivalente masculino do programa, o Street Man Fighter, que será lançado no verão, enquanto que o famoso artista coreano-americano Jay Park aparecerá no novo programa de dança de sobrevivência da JTBC, intitulado Showdown, exibido pela primeira vez no mês passado. Jinjo e outras grandes equipes, como o Fusion MC e Gamblerz, aparecem ao longo de todo o evento.

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Apresentação do grupo Jinjo Crew. Imagem> Jinjo_official/Instagram

“Os breakers coreanos não vão insistir em se apresentar apenas nos estilos convencionais”, disse Kim, provocando o seu novo projeto de agência, Jinhip, que, ao contrário das outras conveyor belt (a tradução ficaria correias transportadoras, mas achei que fica esquisito) de entretenimento de Seul, não se vão concentrar nos cantores e atores, mas “apenas nos dançarinos — e a reação do público tem sido muito boa até agora”.

“Somos sempre sensíveis às tendências crescentes e combinamos estilos do mundo do exterior com, por exemplo, K-pop, kung fu e jumping. Não estamos apenas enfatizando a habilidade, mas a nossa cultura — passado, presente e futuro —, tudo numa só apresentação.”

“Alguns breakers de outros países podem dar prioridade à habilidade e originalidade — o que é bom, claro — mas apenas apela aos fãs fiéis dos breakers, não ao público em geral. Pode até tornar mais difícil a obtenção de financiamento”.

A B-girl de Hong Kong, Jessica Siu Yue-pui ou “Mirage”, viaja com frequência para a Coreia, Japão e Reino Unido para campos de treino e competições. Ela encapsula tudo o que Kim vem pedindo.

Siu liderou a delegação da cidade no Campeonato Mundial de Breaking da WDSF em Paris no início do ano, com a Hong Kong Dancesport Association (HKDSA) que bancou a viagem, alojamento e a disposição da quarentena.

No entanto, cabe a indivíduos ou equipes angariar fundos para eventos, sejam nacionais ou internacionais.

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A B-girl de Hong Kong, Jessica Siu Yue-pui (segunda à direita), com a equipe de breaking no Aeroporto Internacional de Hong Kong antes de competir nos campeonatos mundiais da WDSF em Paris, França. Imagem: Distribuição/South China Morning Post

Siu, que terminou já esteve no top-15 da sua categoria dos campeonatos mundiais no passado, é integrante do comitê da HKDSA e supervisiona a tripulação local UTLR852. Iniciou inúmeras iniciativas de financiamento colaborativo para competições e o seu estúdio de dança recentemente inaugurado.

“A diferença entre o treinamento na Coreia e em outros países é definitivamente o profissionalismo”, disse Siu, que também trabalho tempo integral com animação.

“Não importa para onde eu tenha ido, a Coreia é o número um. Sinto sempre que aprendo e tenho uma perspectiva diferente. Outros países dizem ‘você deve apenas treinar mais’ ou ‘deve apenas encontrar mais tempo’. Mas quando se trata de pensar realmente sobre o futuro e o desenvolvimento, esta é a informação que procuro”, acrescenta.

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Grupo Jinjo Crew. Imagem: Jinjo_official/Instagram

“Muitos atletas estarão olhando para os Jogos Olímpicos de 2024, mas não sabem como responder ‘o que vem depois?'”.

“A Jinjo tem conseguido há 10 ou 15 anos o que as pessoas só estão conseguindo agora. Eles estão tão à frente e isso é algo com que todos deveriam aprender. Skim olha para o breaking como um negócio — não sendo demasiado investido numa só coisa — e como inspirar a cultura”, comenta Siu

Kim, que já vem de longe com a Siu, disse que a formação de cross-country é uma boa forma de “partilhar ideias” tanto em breaking como em negócios. Ele ainda descreveu o seu esforço contínuo para ultrapassar os “mal-entendidos entre os profissionais [bailarinos] e o público“.

“Não sabemos o que o público quer, e o público não sabe o que os B-boys e os B-girls estão fazendo”, disse Kim. “Partilhando, podemos criar sinergias e fazer fluir mais ideias — para saber o que convém ao público, o que os líderes pensam, e como colaborar no futuro.”

“Os Jogos Olímpicos de Paris são uma grande questão para os breakers na Coreia, claro, mas estou propondo pensar para além disso — não apenas levar uma equipe para lá ou ganhar medalhas de ouro. Estou sobretudo pensando nas oportunidades que isto traz para os outros. Quero que as pessoas falem sobre o breaking depois disso”, acrescentou.

Mais a frente, Kim está organizando uma liga de breaking profissional na qual os dançarinos podem representar os seus respectivos grupo, patrocinadores e marcas.

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