Quando Kim Young-hoon, 30 anos, começou um novo emprego em uma empresa de tecnologia em Pangyo este ano, ele decidiu fazer um investimento prático: uma e-scooter (também chamadas de Segway, que na verdade é uma marca das muitas existentes), que facilitaria sua viagem ao trabalho, localizado a cinco quilômetros de sua casa em Seohyun-dong.

E-scooters ou scooters elétricas estão se tornando populares como forma de locomoção para trabalhar em Pangyo, um bairro de Seul, conhecido por sua rapidez em adotar novas tecnologias e tendências.

Após cinco meses indo ao trabalho com sua scooter, Kim está muito satisfeito com sua compra e está convencido de que e-scooters são a melhor maneira de fazer uma viagem de curta distância.

Foto: The Korea Herald
Foto: The Korea Herald

“A menos que esteja chovendo, eu vou de scooter (um modelo Segway Ninebot ES2) todos os dias para o trabalho utilizando as ciclovias dos parques que se estendem por Bundang”, conta Kim ao Korea Herald.

“Andar de e-scooter me faz economizar com transporte diário. Tudo o que eu preciso fazer é carregá-la com eletricidade em casa. Levo cerca de 15 minutos para chegar no trabalho atualmente, comparado aos 30 minutos que eu ficava preso dentro do ônibus nos horários de pico.”

Kim é apenas um dentre os muitos sul-coreanos que veem scooters elétricas como um facilitador para seu deslocamento diário para o trabalho ou escola. Junto de pessoas que usam veículos elétricos para o lazer, consumidores como Kim estão impulsionando a popularidade dos dispositivos de mobilidade pessoal (Personal Mobility Devices).

O termo PMD – Dispositivos de Mobilidade Pessoal refere-se a veículos elétricos para uma pessoa, incluindo Segways de duas rodas, skates, bicicletas e scooters elétricas.
Dependendo do modelo, eles podem atingir a velocidade máxima de 20 a 40 quilômetros por hora. Um modelo de e-scooter padrão custa em torno de 500.000 won (cerca de R$ 1872) em uma loja de varejo local.

Foto: The Straits Times
Foto: The Straits Times

A demanda por PMDs vem crescendo rapidamente. De acordo com o Korea Transport Institute, foram vendidos aproximadamente 75.000 veículos elétricos em 2017, um crescimento de 20% dos 60.000 no ano anterior. Segundo o instituto, espera-se passar das 200.000 unidades até 2022.

Apesar de inicialmente terem chamado atenção como um dispositivo de lazer para os coreanos, os PMDs agora são vistos como uma forma prática de deslocamento.
De acordo com uma pesquisa realizada pela KTI em 2017 com 150 condutores de dispositivos de mobilidade pessoal, 55,3% disseram que os utilizam para deslocamento para o trabalho ou escola, ultrapassando a porcentagem de uso para o lazer (46,7%).

Apesar do crescimento, a regulamentação para PMDs tem sido ambígua, se não inexistente, levando a riscos de segurança, além de contribuir para que haja confusão entre condutores de veículos elétricos, motoristas e pedestres.

Na Coreia, a maioria das pessoas conduz suas e-scooters nas calçadas ou ciclo faixas – quando estas existem. Muitos as utilizam em parques públicos. Em sua maioria, não usam capacetes, e alguns andam pelas ruas. De acordo com as regras de transportes da Coreia, todas as alternativas de uso acima são ilegais.

A lei de tráfego rodoviário categoriza motos como dispositivo de mobilidade pessoal, os tratando como uma motocicleta padrão. O que significa que na Coreia a forma legal de utilizar um PMD é conduzi-los em pistas de carro, usando capacete. O condutor também deve ser maior de 16 anos e ter uma licença para dirigir veículos de duas rodas.

A verdade é que, de qualquer forma, a maioria dos condutores de dispositivos de mobilidade pessoal não seguem tais regras, geralmente porque as desconhecem. Sua aplicação também tem sido fraca, com a fiscalização sendo feita de forma limitada e esporádica em parques de Seul.

Tal estipulação de regras é contraditória. Enquanto requer que esses veículos elétricos viagem nas pistas de carros, não há lei que obriguem seus condutores a obterem o certificado governamental de segurança requerido para todos os veículos nas ruas.
Deixando de lado os assuntos legais, experts avisam que é irrealisticamente perigoso colocar estes veículos elétricos às ruas juntos a veículos padrão que alcançam velocidades muito maiores.

Dispositivos de mobilidade pessoal estão aqui e estão aumentando seu alcance, mas as regulamentações não estão acompanhando este ritmo, prejudicando tanto a indústria quanto a cultura dos condutores de PMD” disse o professor de engenharia automotiva da Universidade Daelim e presidente da Korea Electric Vehicle Association, Kim Pil-su.

Alguns jovens usam o Skate para ir a escola. Foto: Gfycat
Alguns jovens usam o Skate para ir a escola. Foto: Gfycat

Pedir para que condutores de dispositivos de mobilidade pessoal andem pelas ruas é o mesmo que mandá-los para a morte” ele disse. “O governo precisa legislar regras claras de limite de velocidade, locais permitidos e qualificações de condução desses veículos elétricos comparando com modelos bem sucedidos usados em outros países“.

Em junho de 2017, o governo propôs a revisão da lei de tráfego rodoviário para que fosse incluso uma legislação especifica para esses veículos elétricos e a forma correta de conduzi-los. Mas a revisão ainda depende da aprovação da Assembleia Nacional.

A falta de regulamentação está atrapalhando os esforços para criar um ambiente melhor para pessoas que optem por usar esses dispositivos. O Governo Metropolitano de Seul anunciou no ano passado, planos para a construção de uma via especial para PMDs, como e-scooters e Segways, que devem ser testados no final deste ano.

De qualquer forma, foi confirmado por um funcionário do governo de Seul que a cidade precisou dar uma pausa no projeto por agora, enquanto espera pela formalização destas normas.

Sob as atuais circunstâncias também é difícil para a Coreia aceitar modelos de uso compartilhado desses dispositivos, serviço que já existe em outros países. Esse é um sistema onde usa-se um aplicativo para pagar o aluguel de uma e-scooter, pega-la e devolve-la em qualquer ponto de aluguel desses dispositivos dentro de uma mesma área urbana.

Startups estão em busca deste modelo de uso compartilhado, incluindo a Lime and Bird, que opera atualmente nas maiores cidades dos EUA e Europa, embora já estejam aguardando permissões para atuar em algumas localidades. A Lime and Bird, avaliada em 1 bilhão de dólares, também tem conquistado interesse de grandes investidores de tecnologia, arrecadando milhões de dólares de empresas como Uber e Alphabet.


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