O governo sul-coreano e os partidos da oposição concordam em uma coisa, o que é raro – eles continuam a se opor, em nome da segurança nacional – à tentativa do Google em exportar dados do mapa da Coreia do Sul para o popular jogo de smartphones com realidade aumentada – “Pokemon Go”.

A principal oposição do Partido Minjoo, o segundo maior partido popular do país, pediu ao governo que negasse a permissão da empresa para armazenar informações detalhadas dos mapas do país no seu centro de dados global. O governo se recusou a aliviar as restrições sobre o serviço de mapeamento do Google, ao menos que sejam retiradas as instalações sensíveis (militares) em uma reunião com o gigante da Internet em 12 de agosto.

Se o governo fizer uma concessão especial (ao Google), estará violando suas próprias leis e princípios“, disse Shin Cheol-Yeon representante do Partido Popular em 4 de agosto. Os partidos de oposição estão planejando aumentar suas objeções ao Ministério da Terra, Infra-estrutura e Transporte, quanto a política de mapeamento no exterior.

 

O debate sobre os dados dos mapas veio à tona porque os usuários de smartphones na Coreia do Sul, não conseguem jogar o “Pokemon Go”, um jogo de realidade aumentada baseada em GPS que convida os usuários a vagar pelas ruas para capturar monstros virtuais.

Popular jogo para smartphones com a realidade aumentada "Pokemon Go" pode ser jogado a bordo de um barco de cruzeiro em uma viagem no mar perto da cidade do sul de Ulsan no dia 27 de julho. O governo da cidade disse que iria realizar um evento para capturar Pokemon todas as noites às sextas-feiras, sábados e domingos. (Fonte: Korea Herald)
Popular jogo para smartphones com a realidade aumentada “Pokemon Go” podia ser jogado a bordo de um barco de cruzeiro em uma viagem no mar perto da cidade do sul de Ulsan no dia 27 de julho. O governo da cidade disse que iria realizar um evento para capturar Pokemon todas as noites às sextas-feiras, sábados e domingos. (Fonte: Korea Herald)

Embora o desenvolvedor do jogo e distribuidor Niantic, um spin-off da Google, ainda tenha de especificar as razões para a não disponibilização do jogo na Coreia, observadores da indústria especulam que é porque os serviços completos do Google Maps não estão disponíveis.

A Coreia do Sul é um dos poucos lugares no mundo onde o serviço de mapeamento é restrito. O Google afirma que precisa exportar as informações do mapa da Coreia para oferecer funções de assinatura, tais como mapas 3-D, para o formato de navegação a pé e direções para os carros que são característicos da navegação para automóveis.

Mas o governo rejeitou o argumento, sugerindo que o jogo móvel baseado em GPS não requer informações geográficas detalhadas para operar corretamente. “O lançamento de ‘Pokemon Go’ na Coreia do Sul não tem nada a ver com o pedido do Google para os dados do mapa“, disse um funcionário.

Segundo a lei sul-coreana relacionada com a gestão dos dados dos mapas, a informação geográfica é proibida de ser lançada no exterior sem a autorização da presidente e ministro dos Transportes, ou um consenso entre os chefes de agências governamentais que lidam com questões de segurança.

A cláusula de exceção foi incluído em 2014 como parte da iniciativa de desregulamentação da Presidente Park Geun-Hye destinada a melhorar a inovação nos negócios. Encorajados pela alteração, a Google no mês passado fez um pedido ao Ministério dos Transportes para acessar as informações do mapa do país.

Mas o resultado das negociações ainda não foram divulgados, pois o governo ofereceu uma contraproposta que incomoda a Google: a remoção das instalações sensíveis da Coreia do Sul, as imagens (de bases militares) dos mapas globais da empresa.

O governo tem insistido que as imagens das instalações-chave, como o gabinete presidencial e unidades militares, devem ser turvas ou camufladas, porque o país ainda está tecnicamente em guerra com a Coreia do Norte e precisa para se proteger de potenciais ameaças à segurança.

O Google, no entanto, disse que a Coreia do Sul não pode ser tratada de forma diferente de outras nações. A empresa de Internet observou que as imagens geográficas do Google Maps são praticamente as mesmas em todas as nações e que a mudança do sistema em favor da Coreia do Sul colocaria dificuldades.

Os concorrentes internos da Google, em sua maioria, criticaram o movimento. Lee Hae-Jin, presidente do provedor de busca líder da Coreia do Sul, o Naver, pediu a Google que respeite o direito coreano, comparando o pedido da empresa americana a uma tentativa de envolver-se em práticas comerciais “injustas”.

O ponto é solicitar (o Google) que coloque o seu servidor na Coreia do Sul, para não bloquear o seu serviço por completo“, disse o presidente da Naver numa conferência de imprensa em 15 de julho “A tecnologia da Google é avançada o suficiente para executar o seu servidor aqui. Apenas pedindo ao governo para mudar a lei não faz sentido se eles não conseguirem cumprir as suas obrigações como uma empresa de negócios“, disse ele.

O Google Maps divide o mundo em células em forma de losango. Sob este sistema, a ponta nordeste da Coreia do Sul – incluindo Sokcho e Ulleungdo Island – são classificados como parte do território norte-coreano, permitindo “Pokemon Go” de ser jogado lá.

Ansioso para jogar o jogo, os fãs de Pokemon da Coreia do Sul, entusiasmados, se reunem em Sokcho desde julho para jogar. Como o jogo foi lançado oficialmente no Japão, os sul-coreanos podem acessar o serviço na cidade do sudeste de Busan.


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