Kim Soo-jong, diretor executivo e diretor de tecnologia da startup Innospace. Fonte: The Korea Herald

Enquanto corporações globais como a SpaceX de Elon Musk estão liderando na corrida para transformar ficção científica em realidade, na Coreia do Sul, empresas estão tendo coragem para investir em viagens no tempo e robôs humanoides.

A Innospace, fabricante de foguetes híbridos, é um exemplo disso.

A startup com sede em Sejong, é liderada pelo ex-engenheiro da Hanwha, que fabrica pequenos motores “híbridos” que usam uma combinação de combustível sólido e líquido oxidante, diferentemente dos rivais estadunidenses, que usam motores bem maiores.

Startups Coreanas Entram Na Corrida Pelo Espaço, Robótica E Ia
Imagem de um motor de foguete híbrido desenvolvido pela startup de foguetes sul-coreana innospace. Fonte: the korea herald

Os motores híbridos são bem mais seguros e possuem o melhor custo benefício do que os foguetes feitos pelos métodos tradicionais de um tipo de combustível.

De acordo com Kim Soo-jong, CEO e chefe do escritório de tecnologia da Innospace, se comparado com seus competidores no ramo de pequenos foguetes, os motores da Innospace podem fazer 2 ½ – até 500 km- a mais que a concorrência.

Eu posso dizer que os foguetes da Innospace tem uma vantagem até mesmo em relação aos foguetes híbridos desenvolvidos pela empresa estadunidense de voos espaciais Virgin Galactic,já que conseguem manter desempenho estável até chegarem ao seu destino, diferentemente dos outros que não conseguem,” disse Kim.

A Innospace planeja finalizar o desenvolvimento de motores de foguetes até 2022, esses foguetes e motores para microssatélites da categoria de 150kg até 2024. Já os motores híbridos para mini satélites de 500 kg estão previstos para 2026.

Depois disso, a empresa também planeja começar a operar naves comerciais para viagem humana no espaço.

Como o negócio de foguetes é considerado de alto risco, não foi fácil atrair investidores para testes e construções de foguetes, mas recentemente a empresa conseguiu fechar investimentos para a série A de foguetes.

Para o CEO da Innospace, desenvolver foguetes e enviar naves para o espaço não é apenas um sonho de longa data, mas sim algo que ele quer fazer para que os jovens pesquisadores coreanos tenham mais espaço nesse ramo.

A transição que ocorreu nos últimos 10 anos de um ‘antigo espaço’ comandado pelo Estado e um ‘novo espaço’ comandado pelo setor privado, tem possibilitado novas oportunidades para muitas empresas ao redor do mundo. Porém a Coreia tem ficado para trás nesta corrida, com apenas algumas empresas privadas dentro da disputa,” falou Kim.

E acrescentou :“Aproveitando o movimento criado no campo espacial global, o que a Innospace que é se tornar uma inspiração para vários aspirantes ao espaço daqui [Coreia].”

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Motor de foguete híbrido sendo testado no centro de p&d da startup innospace, na província chungcheong do sul. Fonte: the korea herald

Kim tem se dedicado à pesquisa e desenvolvimento de foguetes híbridos nos últimos 20 anos. Antes, ele trabalhava para um laboratório de pesquisa de foguetes do Grupo Hanwha e para o centro de pesquisa de foguetes de Israel do Instituto de Tecnologia de Israel.

Segmentos relacionados ao espaço, incluindo serviços de entregas espaciais e fabricação de foguetes por muito tempo foram regulamentados e controlados por governos, mas os negócios privados de voos espaciais tem crescido de maneira muito rápida enquanto as restrições eram suspensas. Além disso, o movimento o ‘novo espaço’ tem sido liderado por grandes empresas estadunidenses.

Se as companhias, principalmente grandes conglomerados quiserem ter oportunidades no ramo espacial, terão de fazer decisões rápidas para entrarem neste campo,” disse Kim. “Se eles não fizerem isso, talvez seja impossível para alcançarem empresas pioneiras como a SpaceX, Rocket Lab e FireFly, cujas o pioneirismo ajudou a terem maior vantagem.

Cachorro ou robô?

Recentemente a Aidin Robotics chamou atenção após a aquisição, no início de dezembro do ano passado da Boston Dynamics, antes pertencente ao Grupo Hyundai Motors.

A startup de robótica coreana tem conversado com parcerias internacionais devido ao crescente interesse na indústria robótica.

Eu acho que o mercado de robótica ganhará impulso graças a esta aquisição e, a Aindin Robotics está tentando lançar produtos e serviços personalizados, de acordo com a necessidade dos consumidores,” disse Lee Yong-haeng, CEO da Aidin Robotics.

Ainda de acordo com Lee, em comparação com a fabricação de robôs da gigante Boston Dynamic, criada em 1992, a empresa Aidin de apenas 1 ano possui a vantagem de ter maior valor e pode oferecer robôs que funcionam melhor para o mercado doméstico.

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Robô quadrúpede desenvolvido pela empresa sul-coreana aidin robotics. Fonte: the korea herald

A startup desenvolveu um robô quadrupede que se movimenta como um cachorro, possui vários sensores de força de múltiplos eixos e braços robóticos que podem sentir e desviar por conta própria de objetos e pessoas.

O robô quadrúpede, nomeado com o mesmo nome da empresa, Aidin, usa sensores de toques em suas articulações para lidar com solos e superfícies irregulares.

Para possibilitar robôs de se locomover com quatro patas em terreno irregular de maneira estável, requer um alto nível de habilidades robóticas em comparação das habilidades necessárias para construir robôs com rodas e, é por isso que não existem tantas empresas no país como a Boston Dynamics,” disse Lee.

Ao trazer tecnologias de ponta para o mercado, a Aidin Robotic irá acelerar a comercialização de robôs inovadores para a vida cotidiana.

A resposta da Coreia para o Jarvis

Softwares mais avançados também são cruciais para construir robôs autônomos, que se locomovem e agem como seres vivos.

Plaif é um uma empresa local de software que desenvolve programas de inteligência artificial os quais possibilitam que robôs sejam capazes de reconhecer e classificar objetos.

Enquanto a Coreia é um dos países que se encontra no topo em termos de uso de indústrias robóticas, elas possuem pouco ou nenhum apoio no mundo,” disse Chung Tae-young, citando a participação no mercado internacional de 4% da Hyundai Robotics, líder do país na fabricação robótica.

Por outro lado, empresas de Indústrias de Robótica como a Fanuc, ABB,KUKA e Yaskawa tinham juntas em 2019, 56,5% das participações no mercado, de acordo com o provedor de dados de mercado Statista.

De acordo com o CEO da Plaif, ao alavancar os programas de inteligência artificial pode fazer com que o país aumente a competitividade de sua participação na área.

Ainda segundo o CEO, que ganhou um prêmio principal na competição de robôs, a RoboGames em 2012, com o uso generalizado de robôs movidos a IA (Inteligência Artificial) nos setores industriais, bem como no cotidiano, os humanos serão libertados do trabalho manual e repetitivo e serão capazes de se concentrar em esforços criativos.

Embora a Plaif tenha como alvo o mercado de robótica industrial aqui e no exterior, a empresa pretende permitir que os robôs façam tudo pelos humanos.

Desenvolver braços robóticos e assistentes de IA como Jarvis dos filmes do ‘Homem de Ferro’ é o meu objetivo final,” disse ele.


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